
Mundo | Prisões de jornalistas acendem alerta: Trump avança mais uma vez contra a imprensa
Detenção de Don Lemon e Georgia Fort vira símbolo de um novo ataque à liberdade de expressão no segundo mandato do republicano
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira a prisão de dois jornalistas e dois ativistas, acusados de envolvimento em um protesto realizado dentro de uma igreja em Minnesota, há cerca de dez dias. Entre os detidos está Don Lemon, ex-âncora da CNN e um dos críticos mais conhecidos de Donald Trump — a quem já chamou publicamente de racista e mentiroso.
Apesar de o governo alegar que a ação tem base em violações de leis federais, o caso está sendo interpretado por muitos como mais um passo perigoso do trumpismo contra a imprensa, num cenário que já inclui ameaças judiciais, processos milionários, cortes de financiamento e tentativas de interferência no jornalismo.
Prisão às vésperas dos Grammys
Don Lemon foi detido na noite de quinta-feira, em Los Angeles, onde iria cobrir a cerimônia do Grammy, marcada para domingo. O advogado do jornalista, Abbe Lowell, afirmou que as acusações serão derrubadas e classificou o episódio como um “ataque sem precedentes à Primeira Emenda”, que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos.
O protesto que virou alvo do governo
O caso gira em torno de um protesto ocorrido no dia 18, em uma igreja de Saint Paul, quando manifestantes interromperam uma cerimônia religiosa para denunciar que o pastor teria prestado serviços ao ICE, órgão de imigração que tem liderado ações duras contra estrangeiros desde o retorno de Trump ao poder.
A secretária de Justiça, Pam Bondi, prometeu punição pesada e disse que os envolvidos seriam responsabilizados “com toda a força da lei federal”. Lemon contesta essa narrativa e rejeita as acusações.
Juízes negaram prisão… mas o governo insistiu
Nos últimos dias, pedidos de prisão contra Lemon e contra a jornalista independente Georgia Fort chegaram a ser recusados por tribunais. Mesmo assim, o Departamento de Justiça informou que um Grande Júri aceitou as acusações, envolvendo também os ativistas Trahern Jeen Crew e Jamael Lydell Lundy.
Eles foram denunciados por crimes como conspiração para violar direitos constitucionais e violação da liberdade de prática religiosa.
Após audiência, todos foram liberados para responder em liberdade, e Lemon recebeu autorização para viajar ao exterior em junho.
“Eu não vou ficar em silêncio”
Logo após sair do tribunal, Don Lemon foi direto ao ponto:
— A Primeira Emenda protege esse trabalho. Estou ao lado de todos os jornalistas e não vou me calar. Eu não vou parar agora. Nunca vou parar.
Críticas pesadas e provocação da Casa Branca
A prisão gerou revolta entre opositores de Trump e entidades de defesa da liberdade de imprensa. A presidente do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Jodie Ginsberg, afirmou que as detenções fazem parte de uma escalada de ameaças contra a imprensa. Já Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara, chamou o Departamento de Justiça do republicano de “ilegítimo” e prometeu responsabilização.
Enquanto isso, a Casa Branca resolveu tratar o assunto como piada: no perfil oficial no X, publicou a frase “Se a vida te dá limões…”, com emoji de correntes e uma imagem destacando a prisão de Don Lemon — numa provocação que, para muitos, parece deixar claro que o recado não é só jurídico: é político.