Mundo | Trump quer “tomar as rédeas” das eleições e acende alerta antes das midterms

Mundo | Trump quer “tomar as rédeas” das eleições e acende alerta antes das midterms

Presidente defende que republicanos assumam o controle do processo de votação em vários estados e volta a repetir acusações sem provas sobre fraude

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a jogar gasolina em um tema explosivo: o sistema eleitoral americano. Em entrevista nesta segunda-feira, ele defendeu que o Partido Republicano deveria “assumir o controle” das eleições em pelo menos 15 estados, sugerindo até a ideia de “nacionalizar” a votação — algo que, na prática, significaria colocar uma estrutura tradicionalmente local e descentralizada sob influência direta do partido.

A fala já é vista como uma nova escalada retórica e aumenta o temor de que o governo tente interferir diretamente em questões eleitorais às vésperas das eleições de meio de mandato (midterms), consideradas cruciais para o equilíbrio de forças em Washington.

Durante conversa em um podcast apresentado por Dan Bongino, ex-vice-diretor do FBI, Trump foi direto:

— Os republicanos deveriam dizer: “Queremos assumir o controle”. Deveríamos assumir a votação em pelo menos 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar a votação.

Como funcionam as eleições nos EUA — e por que isso chama atenção

Pela Constituição, o sistema eleitoral dos EUA é, em grande parte, regido por leis estaduais, com um modelo descentralizado, administrado por condados e cidades, em milhares de seções eleitorais. O governo federal tem um papel limitado nesse processo.

Mesmo assim, Trump insiste há anos em uma narrativa de que as eleições americanas seriam dominadas por fraudes em massa, com democratas supostamente articulando um esquema para permitir que imigrantes sem documentos votem — algo que não foi comprovado e já foi desmentido repetidas vezes por autoridades e auditorias.

O caso da Geórgia e a ofensiva por registros eleitorais

A fala de Trump também acontece em meio a ações do próprio governo para ampliar o controle sobre assuntos eleitorais. Na semana passada, agentes do FBI apreenderam cédulas e registros ligados à eleição de 2020 em um centro eleitoral no condado de Fulton, na Geórgia — um dos principais palcos das disputas e teorias levantadas por aliados do presidente desde que ele perdeu o estado para Joe Biden.

Na entrevista, Trump voltou a insinuar que houve manipulação:

— Temos estados tão corruptos que estão contando votos. Estados que eu ganhei, mas que mostram que eu não ganhei.

Ele ainda afirmou que “coisas interessantes” podem surgir da investigação na Geórgia, alimentando de novo um enredo que, até hoje, não se sustenta em provas concretas.

Decretos, pressão e a tentativa de mudar regras no grito

Em março, Trump assinou um decreto tentando impor mudanças grandes no sistema eleitoral, como:

  • exigência de prova documental de cidadania,
  • regras mais rígidas para votos enviados pelo correio,
  • exigência de que cédulas postadas fossem recebidas até o fechamento das urnas.

A iniciativa, no entanto, foi amplamente barrada nos tribunais.

Nas redes, Trump ainda pressionou por mudanças mais radicais, como acabar com a votação por correio e até questionar o uso de urnas eletrônicas, embora não tenha oficializado novas medidas nesse sentido.

O pano de fundo: derrotas republicanas e o medo de perder força

As declarações também surgem em um momento em que democratas vêm conquistando vitórias importantes em disputas estaduais, o que aumenta a preocupação republicana com uma possível virada nas midterms — quando o partido que está no poder costuma enfrentar desgaste.

Nesse cenário, Trump também vem estimulando alterações de mapas eleitorais para favorecer seu partido, prática conhecida como gerrymandering, que virou peça central da estratégia republicana para manter vantagem.

Imigração entra no discurso como arma política

No mesmo tom de sempre, Trump tentou conectar seu desejo de controlar eleições à sua agenda de deportações e combate à imigração irregular. Ele sugeriu que, se os republicanos não expulsarem imigrantes sem documentos, o partido deixará de vencer eleições.

O problema é que, novamente, não há evidências de participação relevante de não cidadãos em votações. Uma auditoria na Geórgia, por exemplo, identificou um número mínimo de registros irregulares em meio a milhões de eleitores.

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