
“Não pintou química, pintou uma petroquímica”: Lula confirma reunião com EUA e relembra conversa inusitada com Trump
Presidente brinca sobre relação diplomática enquanto Brasil e Estados Unidos se preparam para discutir tarifas e sanções em meio à tensão comercial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quarta-feira (15) que representantes do governo brasileiro e dos Estados Unidos se reunirão nesta quinta-feira (16) para discutir o chamado tarifaço — em vigor desde 6 de agosto — e as sanções impostas a autoridades brasileiras.
O encontro será realizado em Washington entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que chegou à capital dos EUA no início da semana.
Durante um evento no Rio de Janeiro, Lula falou sobre o diálogo recente que teve com Donald Trump, com quem tenta restabelecer um tom diplomático. O presidente brasileiro, no entanto, aproveitou para ironizar a fala do americano, que havia dito na ONU que existia uma “química excelente” entre os dois.
“Eu comecei a falar o que eu devia falar. Aí não pintou química, pintou uma indústria petroquímica”, brincou Lula, arrancando risadas do público. “Amanhã, a gente vai conversar de novo. Relação humana é isso, é química.”
“A gente estava de mal”
Lula ainda revelou detalhes da conversa telefônica que teve com Trump na semana anterior. Segundo ele, o telefonema foi marcado por um tom mais descontraído.
“Ele me ligou e eu disse: ‘Quero conversar sem formalidade. Estou fazendo 80 anos, e você faz em junho — já pesquisei. Sou oito meses mais velho, então vamos nos tratar por ‘você’, sem liturgia’”, contou.
O petista também recordou o breve encontro que tiveram na Assembleia Geral da ONU, descrevendo a interação como um início conturbado.
“A gente não se conhecia, estávamos meio de mal. Foram 29 segundos de conversa e, digamos, uma química… duvidosa”, ironizou.
Negociações e moeda dos Brics
Antes da confirmação de Lula, o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, já havia antecipado o encontro diplomático. Fontes do governo americano afirmam que Trump pretende discutir a substituição do dólar por uma moeda comum dos países do Brics — grupo que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
A proposta é vista com cautela por Washington, que teme perder influência sobre transações internacionais caso o bloco avance na criação da nova moeda.
Dia do Professor e novos anúncios
O presidente fez as declarações durante o evento de comemoração do Dia do Professor, no Rio de Janeiro, onde o governo anunciou o início do sistema de solicitação da Carteira Nacional do Docente (CNDB).
Entre risadas e críticas sutis, Lula misturou política e ironia — mostrando que, em tempos de tarifas e tensões diplomáticas, um toque de humor ainda é sua principal arma de negociação.