
Nikolas Ferreira desafia ameaças e mantém ocupação na Câmara: “Querem cassar? Que se dane!”
Deputado reafirma resistência contra suspensão de mandato em protesto pela prisão domiciliar de Bolsonaro
Na noite de quarta-feira (6), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma live direto da ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, onde parlamentares da oposição mantêm a mobilização em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a transmissão, Nikolas deixou claro que não teme perder o mandato e desafiou as ameaças do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que avisou sobre a possibilidade de suspensão dos parlamentares caso a ocupação não fosse encerrada.
“Querem cassar nosso mandato? Que se dane!”, afirmou o deputado, transmitindo firmeza e descontentamento com as tentativas de dispersar o grupo. A ocupação é um protesto contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares.
Enquanto aguardavam a sessão marcada para as 20h30, que foi realizada de forma virtual por causa da ocupação, os deputados gritaram palavras de ordem como “Respeitem o Congresso”. Nikolas destacou que a motivação da ação não é apego ao cargo, mas sim um compromisso com o Brasil e com a maioria dos parlamentares.
A Mesa Diretora, por meio de Hugo Motta, lembrou que o Regimento Interno prevê a suspensão cautelar de deputados por até seis meses para coibir condutas que atrapalhem as atividades legislativas.
Apesar da advertência, Nikolas e seus colegas resistem, pedindo que Motta respeite a vontade da maioria — eles dizem contar com mais de 300 assinaturas para pautar a anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro.
Além da Câmara, os senadores também ocupam a Mesa Diretora do Senado, mantendo a pressão. A oposição exige a criação de um “pacote da paz”, que inclui a votação da anistia, o fim do foro privilegiado e o impeachment do ministro Moraes, antes de liberar o funcionamento normal do Congresso.
O clima tenso evidencia a profunda polarização política que paralisa o Legislativo e traz à tona as disputas acirradas entre os poderes e os próprios parlamentares.