
Nikolas vê peso decisivo de Bolsonaro e pede cautela na escolha do nome para 2026
Deputado diz que prioridade da direita é união em torno de quem tiver mais chances de derrotar Lula, seja Flávio, Tarcísio ou outro nome
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado do país em 2022, afirmou nesta sexta-feira (12), em Porto Alegre, que a direita não pode subestimar o impacto das decisões de Jair Bolsonaro na definição do candidato à Presidência em 2026. A declaração foi feita durante palestra em evento da Fecomércio-RS, onde Nikolas comentou os bastidores da sucessão presidencial e as movimentações dentro do PL.
Questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro entrar na disputa, Nikolas disse que o ex-presidente continua sendo uma figura central no tabuleiro político, capaz de mudar cenários com uma única sinalização.
— Bolsonaro é a pedra no sapato da esquerda. Quando se fala o nome “Jair”, a reação é imediata. Não dá para ignorar o peso que a decisão dele tem, seja qual for o candidato. E decisão pode mudar, afirmou.
Flávio entra no radar e anima o partido
Segundo Nikolas, a eventual candidatura de Flávio Bolsonaro surgiu de forma inesperada, mas já movimenta o partido. Ele relatou que, em uma reunião recente do PL, percebeu o senador empolgado e confiante, inclusive mencionando apoio direto do pai.
— Foi algo novo. Nem o presidente do partido sabia. O cenário muda rápido. O que importa é escolher bem para não perder, disse.
Ganhar a eleição é o foco, não o sobrenome
Apesar das especulações, Nikolas evita cravar um nome. Para ele, a discussão deve ser pragmática: quem tem mais chance de vencer Lula em uma eleição nacional.
— Se for o Flávio, ótimo. Se for o Tarcísio, estamos juntos. O que não dá é errar a mão. O momento é grave e exige maturidade, declarou.
Além de Flávio Bolsonaro, Nikolas citou outros nomes cotados no campo da direita, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Na avaliação dele, todos têm potencial eleitoral, mas nenhum consegue, sozinho, unir toda a direita.
— Sempre vai ter resistência aqui e ali. Uns rejeitam o Tarcísio, outros o Zema, outros o Caiado. Isso faz parte, pontuou.
Cenário imprevisível e política em ebulição
Nikolas também chamou atenção para a imprevisibilidade da política brasileira. Mesmo lembrando que Bolsonaro está inelegível até 2030 e atualmente preso, o deputado sugeriu que nada pode ser descartado.
— Os cenários mudam de forma repentina. O Lula já foi presidiário e hoje é presidente. O brasileiro parece não se incomodar com isso, afirmou, em tom provocativo.
Para o parlamentar, a mensagem é clara: a direita precisa menos de vaidade e mais de estratégia, concentrando forças em torno de um nome competitivo. Afinal, como ele próprio resumiu, há apenas um consenso absoluto no campo oposicionista:
— Só tem um candidato que não pode ganhar: o Lula.