No palco do Butantan, Tarcísio entrega resultados enquanto Lula descobre as vacinas em ano eleitoral

No palco do Butantan, Tarcísio entrega resultados enquanto Lula descobre as vacinas em ano eleitoral

Governador de São Paulo consolida investimentos e produção científica, enquanto presidente tenta capitalizar politicamente a pauta da saúde às vésperas da eleição

O Instituto Butantan, referência internacional em ciência e produção de vacinas, volta ao centro das atenções nesta segunda-feira (9), em São Paulo. No mesmo palco estarão o governador Tarcísio de Freitas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarca no estado para anunciar investimentos federais no centro de pesquisas paulista. O contraste, no entanto, é inevitável: de um lado, uma gestão estadual que mantém o instituto funcionando, produzindo e avançando; do outro, um presidente que redescobre a importância das vacinas justamente quando o calendário eleitoral aperta.

O governo federal promete cerca de R$ 1 bilhão para a ampliação e modernização do Butantan, instituição ligada diretamente ao governo de São Paulo. A estrutura que Lula agora visita e exalta é a mesma que seguiu operando, investindo e entregando resultados sob a administração estadual, mesmo em meio a disputas políticas e tentativas frequentes de apropriação de méritos.

Tarcísio de Freitas chega ao evento fortalecido. Favorito à reeleição, o governador construiu uma imagem de gestor pragmático, distante de palanques improvisados e mais próximo da execução. O Butantan, que hoje produz a primeira vacina de dose única contra a dengue aprovada no mundo, é fruto de planejamento técnico, continuidade administrativa e investimento pesado em ciência — pilares mantidos pelo governo paulista.

Já Lula aparece em São Paulo em um momento politicamente sensível. Recentemente, o presidente admitiu, pela primeira vez, que pode não disputar a reeleição com Geraldo Alckmin como vice, sinalizando rearranjos eleitorais e a busca desesperada por palanques fortes no maior colégio eleitoral do país. A visita ao Butantan, nesse contexto, soa menos como política pública e mais como tentativa de resgatar narrativa, colar imagem e recuperar terreno onde o PT historicamente enfrenta resistência.

A agenda inclui a apresentação do complexo de produção da vacina contra a dengue, a Butantan-DV, aprovada pela Anvisa em novembro de 2025. O imunizante, desenvolvido integralmente pelo instituto paulista, representa um marco científico e já começou a ser testado em um plano-piloto em municípios de São Paulo, Ceará e Minas Gerais. O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses, mas a base tecnológica, o desenvolvimento e a capacidade produtiva são méritos claros do Butantan e da estrutura mantida pelo estado.

Enquanto Tarcísio consolida sua posição com resultados concretos e gestão focada, Lula tenta se apresentar como patrono da ciência num roteiro que parece calculado para fotos, discursos e dividendos eleitorais. A preocupação com vacinas, que agora ganha holofotes, chega tarde e convenientemente no ano da eleição — levantando dúvidas sobre prioridade real e compromisso contínuo.

No fim, o evento expõe mais do que anúncios: revela a diferença entre quem governa com planejamento e quem aparece quando a urna começa a chamar.

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