
Novo capítulo no caso Vorcaro: contrato de R$ 50 milhões envolvendo escritório da esposa de Moraes aparece em proposta de delação
Documento citado em negociação com a PF amplia questionamentos sobre relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e figuras ligadas ao Judiciário
As investigações que cercam o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ganharam mais um capítulo que promete gerar repercussão nos bastidores de Brasília. Informações reveladas nesta semana apontam que a primeira proposta de delação premiada apresentada pelo empresário à Polícia Federal continha referências a um contrato milionário envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Segundo a informação divulgada pela jornalista Malu Gaspar, o documento apresentado por Vorcaro aos investigadores mencionava um contrato avaliado em R$ 50 milhões que teria sido elaborado poucas semanas antes da liquidação do Banco Master e da prisão do banqueiro.
Embora o contrato tenha sido redigido, a reportagem informa que ele não chegou a ser formalmente assinado. Ainda assim, sua existência passou a integrar o material analisado durante as negociações para um possível acordo de colaboração premiada.
Contrato milionário chama atenção em meio à crise do Banco Master
O caso desperta interesse porque surge justamente em um momento em que a Polícia Federal aprofunda investigações sobre supostos esquemas financeiros, relações empresariais e possíveis conexões políticas envolvendo Daniel Vorcaro.
De acordo com os documentos mencionados na reportagem, o contrato previa um pagamento de R$ 50 milhões ao escritório Barci de Moraes. O valor expressivo imediatamente levantou questionamentos entre observadores do caso, principalmente pelo contexto em que o documento teria sido produzido: semanas antes do colapso financeiro que culminou na liquidação do banco e na prisão do empresário.
Até o momento, não há informação pública de que qualquer pagamento tenha sido realizado ou que o contrato tenha produzido efeitos jurídicos.
Primeira delação foi rejeitada pela Polícia Federal
A revelação ocorre após a Polícia Federal rejeitar, em 20 de maio, a primeira versão da delação apresentada por Vorcaro.
Investigadores avaliaram que o conteúdo entregue inicialmente não trazia elementos considerados suficientemente relevantes para justificar um acordo nos moldes propostos. A partir dessa rejeição, a defesa do banqueiro iniciou novas negociações com a PF e com a Procuradoria-Geral da República.
Nos últimos dias, uma nova proposta foi apresentada contendo informações adicionais e nomes que não apareciam na versão anterior.
Nova delação promete ampliar o alcance das investigações
A segunda versão do acordo de colaboração foi entregue durante reunião entre advogados de Vorcaro, representantes da Polícia Federal e integrantes da Procuradoria-Geral da República.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, o novo material teria sido ampliado e aprofundado, incluindo personagens e episódios que não haviam sido mencionados anteriormente.
O conteúdo segue sob análise das autoridades e ainda não há definição sobre eventual homologação de um acordo.
Caso aumenta expectativa sobre próximos desdobramentos
A inclusão de um contrato relacionado ao escritório da esposa de um ministro do STF adiciona mais um elemento de interesse público a uma investigação que já envolve denúncias de fraudes financeiras, supostas relações políticas e possíveis esquemas de influência.
Enquanto a PF e a PGR analisam o material apresentado, cresce a expectativa sobre quais informações poderão ser confirmadas, descartadas ou aprofundadas nos próximos meses.
Por ora, o documento citado permanece como parte do conjunto de informações oferecidas por Daniel Vorcaro em sua tentativa de firmar um acordo de colaboração premiada. O conteúdo ainda depende de validação pelas autoridades responsáveis pela investigação.