
Novo oficializa apoio a Flávio Bolsonaro, e Deltan Dallagnol mobiliza o Paraná no segundo turno
Partido abandona a neutralidade e fecha apoio ao candidato do PL; Deltan, eleito senador pelo Paraná, aparece ao lado de Flávio e pede aos paranaenses mais um voto para a disputa presidencial
O Partido Novo oficializou nesta quarta-feira (7) o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi anunciada após uma reunião da direção nacional da legenda com Flávio, em Brasília, e contou com a presença de integrantes da bancada eleita do partido, entre eles Deltan Dallagnol, eleito senador pelo Paraná, e Marcel van Hattem, eleito senador pelo Rio Grande do Sul.
O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda decidiu apoiar Flávio com o objetivo de derrotar o PT no segundo turno e também destacou a pauta do partido em relação ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo Ribeiro, a decisão ocorre depois de o Novo ter lançado Romeu Zema à Presidência no primeiro turno. Zema terminou a primeira etapa da eleição em sexto lugar, com 0,27% dos votos válidos, e já havia declarado individualmente seu apoio a Flávio antes da decisão oficial da legenda.
A formalização transforma o apoio individual de lideranças do Novo em uma posição institucional do partido.
Deltan Dallagnol entra em campo por Flávio
Entre os nomes que participaram da reunião em Brasília estava Deltan Dallagnol, que teve papel de destaque na mobilização do partido.
Eleito senador pelo Paraná, Deltan apareceu ao lado de Flávio e, no mesmo dia, fez um pedido direto aos eleitores paranaenses.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Dallagnol afirmou:
“O Paraná fez direita no governo, no Senado, mas a missão não está completa.”
Na sequência, pediu apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, associando a candidatura à defesa do agronegócio, do trabalhador, das liberdades e ao combate à injustiça.
A manifestação ocorreu depois de uma votação expressiva de Flávio no Paraná no primeiro turno.
Segundo a aRede, o candidato do PL recebeu mais de 3,9 milhões de votos no estado, correspondentes a 59,91% dos votos válidos.
Flávio agradeceu aos paranaenses e também destacou a eleição de Deltan Dallagnol e Filipe Barros para o Senado.
“Agradeço pela votação expressiva no Paraná, por me darem dois senadores, o Deltan e o Filipe, que vão nos ajudar muito aqui a resgatar o nosso Brasil”, afirmou Flávio.
Um apoio que reúne lideranças do Novo
O encontro em Brasília teve caráter institucional.
Além de Deltan, participaram representantes da bancada federal eleita e outras lideranças da legenda. Marcel van Hattem, outro senador eleito pelo Novo, também esteve presente.
A presença dos dois futuros senadores dá peso político ao anúncio, especialmente porque ambos possuem atuação conhecida em pautas relacionadas à independência entre os Poderes, reformas institucionais e críticas a decisões do STF.
O Novo informou que elegeu 10 deputados federais, 15 deputados estaduais e três senadores em 2026.
A decisão, portanto, não foi apenas uma declaração isolada de uma liderança. Foi apresentada como posicionamento oficial da legenda para o segundo turno.
Zema já havia declarado apoio
O movimento também dá continuidade à decisão de Romeu Zema.
O ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo no primeiro turno declarou apoio a Flávio poucos dias depois da votação.
Agora, o partido formalizou institucionalmente a mesma posição.
Flávio agradeceu tanto a Zema quanto ao Novo e afirmou que a adesão demonstra, na visão de sua campanha, uma convergência política mais ampla.
“Isso mostra que, de verdade, há unidade. E agora não é mais esquerda contra direita. É de quem quer a mudança contra aqueles que não querem a mudança”, disse o candidato.
A frase resume a maneira como Flávio pretende apresentar o segundo turno: não apenas como uma disputa entre dois candidatos, mas como uma escolha entre projetos políticos distintos.
O peso do Paraná
O Paraná ganhou importância especial nessa etapa da eleição.
No primeiro turno, Flávio obteve quase 60% dos votos válidos no estado, e o resultado foi acompanhado pela eleição de nomes alinhados à sua candidatura para o Senado.
Deltan Dallagnol e Filipe Barros foram eleitos senadores pelo Paraná, enquanto Sergio Moro foi eleito governador. Esses resultados deram ao estado uma composição política que agora passa a ser utilizada pela campanha de Flávio na mobilização para o segundo turno.
Por isso, o pedido de Deltan não foi apenas uma manifestação pessoal.
Ao dizer que “a missão não está completa”, o senador eleito apresentou o segundo turno como uma etapa ainda pendente depois dos resultados obtidos no estado.
Deltan reforça sua posição política
A participação de Deltan também ocorre em um momento de forte atenção sobre sua situação eleitoral.
O ex-procurador da Lava Jato teve seu registro de candidatura ao Senado questionado e chegou a ter a candidatura barrada por decisão no Tribunal Superior Eleitoral, embora a situação jurídica tenha sido objeto de recursos e decisões posteriores.
Independentemente da disputa judicial, Deltan continua atuando publicamente e participou da mobilização do Novo em favor de Flávio.
Sua presença ao lado do candidato do PL reforça a aproximação política entre os dois grupos.
Mérito a Deltan e à articulação do Novo
O movimento de Deltan merece destaque pelo fato de o senador eleito ter assumido publicamente sua posição e participado diretamente da mobilização eleitoral.
Em vez de permanecer apenas nos bastidores, Dallagnol foi ao lado de Flávio, falou aos paranaenses e apresentou os temas que, segundo ele, devem orientar essa etapa da eleição: agronegócio, trabalho, liberdades e combate à injustiça.
Também merece registro a decisão do Novo de transformar o apoio em uma posição oficial da legenda. A reunião contou com diferentes representantes eleitos e formalizou uma escolha política para o segundo turno.
Ao mesmo tempo, cabe ao eleitor avaliar individualmente as propostas e as posições apresentadas por cada candidato e por cada partido.
O segundo turno ganha novas alianças
A decisão do Novo ocorre em um momento de ampliação das alianças em torno das duas candidaturas.
Flávio já havia recebido manifestações de apoio de Ronaldo Caiado, de Tarcísio de Freitas e da federação formada por União Brasil e Progressistas, enquanto outras legendas também passaram a discutir sua posição no segundo turno.
O Novo agora se soma oficialmente a esse grupo.
No Paraná, Deltan Dallagnol assume a tarefa de tentar transformar a votação obtida por Flávio no primeiro turno em mobilização para a segunda etapa.
A mensagem deixada pelo senador eleito foi direta: para ele, o resultado alcançado no Paraná representou apenas uma parte da disputa e o próximo passo seria levar os eleitores novamente às urnas.
O segundo turno, portanto, começa com novas alianças, novos apoios e uma disputa ainda mais concentrada nos estados que deram maiores votações aos dois candidatos.
E o Novo, com Deltan Dallagnol e Marcel van Hattem entre suas principais lideranças eleitas, decidiu oficialmente ocupar seu espaço nessa nova etapa da eleição ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro.