
“Nunca conversei”: Galípolo nega contato com Moraes e levanta ainda mais dúvidas no caso Banco Master
Presidente do Banco Central tenta se afastar da polêmica, mas declarações em meio à CPI aumentam clima de desconfiança e contradições no escândalo
Em meio ao turbilhão de suspeitas que envolve o caso do Banco Master, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, adotou uma linha direta — e conveniente — ao afirmar que “nunca conversou” com o ministro Alexandre de Moraes sobre o tema.
A declaração foi feita durante audiência na CPI do Crime Organizado, mas, longe de encerrar o assunto, acabou alimentando ainda mais dúvidas. Em um caso onde surgem conexões, contratos milionários e movimentações suspeitas, a negativa soa, para muitos, mais como um distanciamento estratégico do que um ponto final.
Silêncio que fala alto
Galípolo foi chamado para explicar a atuação do Banco Central no episódio, especialmente diante do colapso e das decisões envolvendo o Banco Master. No entanto, sua resposta sobre Moraes — seca e direta — levanta uma questão inevitável: em um caso dessa magnitude, é mesmo plausível que não tenha havido qualquer tipo de diálogo?
A pergunta fica no ar, principalmente quando outros elementos do escândalo apontam para uma teia complexa de relações entre agentes públicos, decisões financeiras e interesses privados.
Entre negativas e desconfiança
A tentativa de afastamento institucional parece seguir um roteiro já conhecido em Brasília: quanto maior a crise, mais frequentes são as negativas categóricas. O problema é que, nesse tipo de cenário, o excesso de “nunca”, “jamais” e “não sei” costuma gerar o efeito contrário — aumenta a desconfiança em vez de dissipá-la.
E não é para menos. O caso já envolve o nome de Alexandre de Moraes, contratos milionários com seu entorno familiar e decisões que impactam diretamente o sistema financeiro. Nesse contexto, qualquer alegação de ausência total de contato soa, no mínimo, difícil de engolir sem questionamentos.
CPI expõe mais perguntas do que respostas
A audiência na CPI, que deveria trazer clareza, acabou reforçando a sensação de que ainda há muitas peças fora do lugar. Em vez de respostas conclusivas, o que se vê é um cenário fragmentado, onde cada declaração parece abrir novas dúvidas.
Para críticos, o problema não está apenas no conteúdo das falas, mas no conjunto da obra: uma sucessão de versões, negativas e explicações que não conseguem fechar o quebra-cabeça.
Ironia de um roteiro previsível
No fim das contas, o episódio revela um padrão quase irônico. Em meio a um dos casos mais rumorosos do momento, a resposta central é justamente a ausência de conversa. Em um ambiente onde tudo parece conectado, o silêncio — ou a negação dele — passa a ser protagonista.
E assim, entre declarações formais e desconfiança crescente, o caso do Banco Master segue seu curso, deixando para trás uma impressão incômoda: quanto mais se fala, menos claro tudo parece ficar.