
“O cara só fala de Deus”: mensagem de aliado de Vorcaro mostra desconfiança em Mendonça
Registro extraído pela PF do celular de Daniel Vorcaro mostra interlocutor dizendo não confiar no ministro; conteúdo também reforça que o nome de Mendonça circulava entre pessoas próximas ao ex-banqueiro
Uma conversa extraída pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxe uma declaração de um interlocutor identificado como “Francisco” sobre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na conversa, Francisco teria escrito: “não confio no Mendonça, deixa quieto”. Na sequência, Vorcaro perguntou: “mas deu certo?”. O interlocutor respondeu: “o cara só fala de Deus, pô, não dá pra dialogar não”.

O que a mensagem revela
O registro demonstra que o nome de Mendonça era discutido entre pessoas ligadas a Vorcaro e que havia, naquele grupo, uma percepção de dificuldade para estabelecer determinado tipo de interlocução com o ministro.
Entretanto, o trecho divulgado não apresenta todo o contexto da conversa. Não é possível afirmar, apenas a partir dessas frases, qual negociação ou assunto estava sendo discutido quando Francisco perguntou se “deu certo”.
Também não há, nesse trecho isolado, comprovação de corrupção, pagamento ou interferência de Mendonça em decisões judiciais.
O encontro com Vorcaro
A mensagem ganha relevância porque já existem registros de que Vorcaro se encontrou com Mendonça.
Reportagens baseadas no conteúdo extraído do celular apontaram que a aproximação teria sido articulada por pessoas próximas ao ministro, entre elas o advogado Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira. O próprio Mendonça reconheceu ter recebido Vorcaro em março de 2025 e afirmou que o encontro tratou de uma questão relacionada a créditos de precatórios de interesse do Banco Master.
O conteúdo divulgado, porém, não demonstra que Mendonça tenha interferido de maneira irregular em favor do Banco Master.
Mérito para o andamento do caso
O episódio reforça a importância de analisar o material integral apreendido pela Polícia Federal, e não apenas trechos selecionados de mensagens.
Mendonça, como relator do caso Master no STF, passou a ter acesso ao conteúdo do celular de Vorcaro depois de uma dificuldade técnica inicialmente relatada por seu gabinete. A solução permitiu ao ministro examinar diretamente os dados extraídos do aparelho.
Esse acesso é relevante para o andamento do processo porque permite confrontar diferentes conversas, documentos, datas e personagens antes de qualquer conclusão.
O mérito, neste momento, está justamente no prosseguimento da análise documental e na busca pelo contexto completo das mensagens.
Partes envolvidas
André Mendonça — ministro do STF e relator do caso relacionado ao Banco Master.
Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco Master e proprietário do celular de onde a PF extraiu as mensagens.
“Francisco” — identificação utilizada no registro divulgado para o interlocutor que afirmou não confiar em Mendonça.
Ciro Rocha Soares — advogado citado em registros relacionados à aproximação entre Vorcaro e Mendonça.
Cezinha de Madureira — deputado federal que também aparece no contexto da aproximação entre Vorcaro e o ministro e que posteriormente foi alvo de operação da PF.
Polícia Federal — responsável pela apreensão e extração dos dados do aparelho de Vorcaro.
O que ainda precisa ser esclarecido
A frase “não confio no Mendonça” é uma manifestação atribuída a um interlocutor de Vorcaro, e não uma conclusão da Polícia Federal sobre a conduta do ministro.
O que permanece necessário esclarecer é a qual assunto Francisco se referia, o que significava a pergunta “mas deu certo?” e qual era o contexto completo da conversa.
Por isso, o material merece ser analisado em conjunto com os demais registros do celular. Uma mensagem isolada pode levantar perguntas; o conjunto dos dados é que poderá esclarecer os fatos.