O ciclo da farra nas emendas: ONGs em São Paulo repetem os mesmos esquemas e fornecedores

O ciclo da farra nas emendas: ONGs em São Paulo repetem os mesmos esquemas e fornecedores

Denúncia do Observatório Social revela contratos suspeitos, gastos inflacionados e concentração de recursos em eventos esportivos em detrimento da saúde pública

Em São Paulo, as ONGs que mais recebem dinheiro público para organizar eventos esportivos têm um padrão preocupante: todas contratam as mesmas empresas, criando um ciclo fechado onde os recursos públicos parecem girar entre poucos grupos, sem muita transparência. Essa situação, que já vinha sendo acompanhada de perto pelo Observatório Social do Brasil – São Paulo (OSB-SP) desde 2020, virou alvo de denúncia junto ao Tribunal de Contas do Município (TCM-SP) por suspeitas de irregularidades.

Enquanto a verba destinada à saúde despenca — com cortes de mais de 60% nos últimos quatro anos —, os investimentos em eventos esportivos e culturais dispararam, crescendo quase 400% no mesmo período. É um claro deslocamento de prioridades, que favorece um setor que, na prática, concentra gastos em poucos fornecedores e parece inflacionar custos.

Entre as entidades que mais receberam dinheiro público está a Confederação Brasileira de Karatê Interestilos (CBKI), que acumulou quase R$ 31 milhões em emendas entre 2021 e 2024. Essa entidade, assim como outras como a Federação Estadual das Ligas de Esporte Amador (Felfa-SP) e a Liga Master de Futebol Amador, contratam repetidamente as mesmas empresas — Dmix Eventos, Shalom Eventos e Gabii Eventos —, que operam com nomes e endereços diferentes, mas que têm conexões suspeitas.

O Observatório percebeu que, em muitos casos, uma única empresa concentra quase todos os serviços para eventos, oferecendo de videogames a tatames e geradores. O resultado é um quadro onde custos são inflados, como o aluguel de videogames com valores muito acima do mercado, e a contratação de dezenas de diárias para fotógrafos que entregam material amador.

“Como é possível justificar despesas tão elevadas para serviços tão repetitivos e até questionáveis?”, questiona Gioia Matilde Alba Tumbiolo Tosi, vice-presidente do OSB-SP. E, pior, faltam clareza e comprovação sobre a aplicação do dinheiro — do que realmente foi entregue até o destino das sobras em eventos muito parecidos, realizados em locais diferentes.

Apesar das explicações das entidades e das empresas — que alegam seguir critérios técnicos e pareceres da Secretaria Municipal de Esportes — o cenário denuncia uma farra com dinheiro público, onde falta fiscalização rigorosa e sobra repetição de fornecedores num esquema que custa caro para o bolso do contribuinte.

A Secretaria Municipal de Esportes garante que está criando tabelas de preços para controlar melhor os gastos, mas o alerta do OSB-SP é claro: o modelo atual precisa de um corte radical para impedir que os recursos públicos continuem sendo drenados por interesses que pouco têm a ver com o bem coletivo.

Fonte e Créditos: Metrópoles

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