O “gabinete do ódio” reeditado: agora com selo oficial do Planalto

O “gabinete do ódio” reeditado: agora com selo oficial do Planalto

Enquanto o governo Lula se afunda em slogans e improvisos, militância e influenciadores são mobilizados para atacar o Congresso — usando a mesma tática que antes chamavam de “ameaça à democracia”.

Na contramão do lema “União e reconstrução”, o governo Lula parece ter adotado outra lógica: quanto mais divisão, melhor. Diante da dificuldade de mostrar resultados concretos, o Planalto optou por reacender o velho conflito de trincheiras: nós contra eles, militância contra instituições, narrativa contra realidade. A tal “frente ampla” virou lenda. Em seu lugar, o que se vê é o retorno da retórica agressiva, disfarçada de participação popular.

De dentro do governo, partiu o sinal verde para o que antes se chamava de “gabinete do ódio” — agora com outra embalagem e o carimbo institucional. Militantes e influenciadores alinhados foram convocados para dominar as redes sociais e defender o governo a qualquer custo, inclusive com ataques ao Congresso e tentativas de desmoralizar adversários.

Sob a máscara de “comunicação democrática”, o governo promove perseguição disfarçada de combate à desinformação. A plataforma “Brasil Contra Fake”, da Secretaria de Comunicação, raramente se dedica a desmentir inverdades. Seu foco é validar a versão oficial dos fatos, como quando defende a taxação dos ricos, ao mesmo tempo em que aumenta o IOF — imposto que pesa no bolso dos mais pobres.

A contradição é escancarada quando o PT ataca o Congresso por não se curvar à sua agenda. Cada derrota é seguida de discursos conspiratórios, acusando o Legislativo de ser um bastião conservador impedindo o “progresso”. O mesmo partido que já se opôs à Constituição de 1988, ao Plano Real e à Lei de Responsabilidade Fiscal agora se diz defensor das instituições.

Lula, que em discurso se apresenta como pacificador, também é o líder que convoca o “exército do Stedile” quando se sente acuado. À frente de um governo frágil, sem rumo e cada vez mais dependente de improvisações, ele volta a usar o confronto como estratégia de distração.

A realidade, no entanto, não colabora com essa encenação. A inflação continua alta, o rombo fiscal aumenta e a população quer soluções, não slogans. Mas o lulopetismo prefere alimentar inimigos imaginários — os ricos, o Congresso, a mídia — para manter sua base aquecida e evitar encarar os problemas reais do país.

A polarização virou muleta para um governo sem projeto de futuro. E, nesse jogo, quem perde é a sociedade produtiva, que segue refém de uma elite política que vive de discursos inflamados e pouco faz para mudar de verdade o Brasil.

No final das contas, a pergunta que fica é: será que existe mesmo um “gabinete do ódio do bem”? Ou só trocaram as camisas e mantiveram os métodos?

Fonte e Créditos: Estadão

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias