
O país em alerta: Adélio Bispo passa por nova perícia que pode abrir caminho para sua liberdade
Mesmo após esfaquear Bolsonaro e ser considerado perigoso, Justiça reavalia se o autor do atentado pode voltar ao convívio social — um debate que revolta parte da população e expõe falhas do sistema.
A novela jurídica envolvendo Adélio Bispo — o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018 — ganhou um novo capítulo. Preso há sete anos na Penitenciária Federal de Campo Grande, ele passou por mais uma avaliação psiquiátrica, cujo laudo pode decidir se continua internado ou se, inacreditavelmente, pode ser solto.
Um perito oficial esteve na unidade federal para analisar seu estado mental atual. O exame compara o laudo que o declarou inimputável lá atrás com sua situação hoje. Cabe à perícia dizer se Adélio ainda tem transtorno mental, se apresenta risco para si ou para os outros e se deve seguir sob custódia — ou não.
A dúvida que indigna o país
A simples possibilidade de liberdade já causa revolta entre muitos brasileiros. Especialistas apontam que Adélio teria piorado ao longo dos anos na prisão: não lê, não conversa, não interage e estaria completamente desconectado da realidade fora das grades. Ou seja, alguém sem condições mínimas de vida social — mas que, ainda assim, pode voltar às ruas dependendo do laudo.
A maioria dos analistas acredita que a chance de soltura é mínima. Magistrados tendem a priorizar a ordem pública, até porque o caso não é qualquer caso. Estamos falando do autor de um atentado contra um candidato à presidência em plena campanha eleitoral.
O impasse jurídico que mantém Adélio onde está
Mesmo sendo inimputável, a Justiça determinou que ele deveria cumprir medida de segurança em um hospital de custódia. Mas como não há vagas, Adélio continua no presídio federal — considerado o mais adequado para casos como o dele, embora não seja um local ideal para tratamento.
A tentativa de transferi-lo para Minas Gerais, no ano passado, terminou em briga entre varas federais, falta de vagas e suspensão da mudança pelo STJ. Resultado: tudo ficou como estava.
O atentado que marcou o país
Em 6 de setembro de 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora, o então candidato Jair Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen. Adélio foi preso em flagrante, confessou o crime e alegou ter agido “a mando de Deus”. Perícias apontaram que ele sofria de transtorno delirante persistente, tornando-se inimputável — ou seja, incapaz de responder criminalmente.
A Justiça o absolveu de forma imprópria e determinou sua internação por tempo indeterminado. Investigações posteriores reafirmaram que ele agiu sozinho.
Novo exame, velha preocupação
Em 2022, uma perícia já havia concluído que Adélio ainda representava um risco real. Agora, ele passa novamente pelo mesmo processo — e mais uma vez a sociedade observa perplexa a possibilidade de alguém tão perigoso eventualmente ser liberado por brechas legais e falta de estrutura adequada do Estado.
A verdade é dura: a cada nova avaliação, renasce a sensação de que o Brasil é um país onde as leis andam de um lado e o bom senso, de outro. Enquanto isso, continua preso num presídio federal que não foi feito para tratar doenças mentais, mas que, por ironia, é o único lugar que consegue manter a segurança que o caso exige.