Organização do ato de Flávio Bolsonaro na Paulista pede que apoiadores recolham bandeiras dos Estados Unidos e de Israel

Organização do ato de Flávio Bolsonaro na Paulista pede que apoiadores recolham bandeiras dos Estados Unidos e de Israel

Durante o “Bloquinho 22”, realizado em 18 de outubro de 2026, integrantes da organização solicitaram que os manifestantes guardassem bandeiras estrangeiras antes dos discursos. A orientação ocorreu em uma mobilização que contou com Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes, Nikolas Ferreira e outros aliados, com destaque para as cores do Brasil e o número de urna do candidato do PL.

A manifestação em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (18), teve um episódio que chamou a atenção dos participantes: a organização pediu que fossem recolhidas bandeiras de outros países, especialmente dos Estados Unidos e de Israel, que estavam sendo exibidas por parte do público.

O pedido foi feito por um integrante da organização no carro de som principal, antes dos discursos. “Hoje é a nação brasileira, queria pedir para que bandeiras de outros países fossem recolhidas”, declarou, conforme relato publicado pela Agência O Globo e reproduzido pelo InfoMoney.

Bandeiras do Brasil e número 22 predominam na manifestação

Batizado de “Bloquinho 22”, o ato reuniu apoiadores vestidos majoritariamente com camisas da Seleção Brasileira e carregando bandeiras do Brasil e símbolos associados à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Durante a concentração, também foram vistas bandeiras que combinavam as cores e os símbolos dos Estados Unidos com os do Brasil, além de bandeiras israelenses. Vendedores ambulantes ofereciam bonés com referências ao presidente norte-americano Donald Trump.

A orientação para guardar bandeiras estrangeiras buscou colocar os símbolos nacionais em primeiro plano durante a manifestação. A recomendação foi dirigida aos participantes de maneira geral, embora a cobertura jornalística tenha destacado particularmente as bandeiras norte-americanas e israelenses.

O episódio mostra como símbolos nacionais e internacionais se tornaram parte da identidade visual de manifestações políticas. A organização, naquele momento, pediu que o ato priorizasse a representação brasileira.

Flávio Bolsonaro participa ao lado de aliados políticos

A mobilização contou com a participação de Flávio Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), do prefeito paulistano, Ricardo Luís Reis Nunes (MDB), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP).

A manifestação ocorreu a uma semana do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A campanha buscou aproximar o candidato dos apoiadores, com um percurso em veículo aberto e música reproduzida por equipamentos de som instalados ao longo da avenida.

O formato foi diferente dos comícios tradicionais com longos discursos em um caminhão estacionado. A proposta era fazer o candidato percorrer parte da Paulista diante do público, acompanhado por aliados políticos.

O evento teve músicas de funk e axé adaptadas para a campanha, além de jingles com críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT). Entre os refrões cantados pelos presentes estavam “Quem ficar parado é petista disfarçado” e “Fora, PT, aqui não é seu lugar”.

Mobilização ocorreu antes do debate com Lula

O ato foi realizado no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinham participação prevista no primeiro debate televisivo entre os dois nesta campanha, organizado pela Band em parceria com outros veículos de comunicação.

Ao encerrar sua participação na Paulista, Flávio afirmou que pouparia a voz para o debate da noite e convocou os apoiadores a acompanharem o confronto pela televisão. Em seu discurso, fez críticas ao governo petista e declarou que pretendia apresentar suas acusações contra Lula durante o encontro.

A manifestação também aconteceu uma semana depois de um ato de apoio a Lula na mesma avenida, em 11 de outubro. As duas mobilizações colocaram a Paulista no centro da disputa pública entre os grupos políticos na reta final da eleição.

O significado político do pedido para guardar bandeiras estrangeiras

A orientação para recolher bandeiras dos Estados Unidos e de Israel não foi acompanhada, nas informações publicadas, de uma explicação detalhada sobre eventuais restrições específicas a esses países. O integrante da organização justificou o pedido de maneira geral, afirmando que o foco deveria estar na nação brasileira.

Por isso, não há elementos suficientes para concluir que a organização tenha pretendido rejeitar os Estados Unidos ou Israel, nem que tenha alterado as posições políticas de Flávio Bolsonaro em relação a esses países. O que foi registrado foi uma orientação para que bandeiras estrangeiras fossem recolhidas antes dos discursos.

O episódio também demonstra que uma manifestação pode reunir diferentes referências políticas e internacionais, enquanto seus organizadores tentam definir a imagem que desejam transmitir ao público e à imprensa.

Mérito à participação democrática

O “Bloquinho 22” reuniu apoiadores e lideranças políticas em um ato de campanha que destacou a bandeira brasileira, as cores nacionais e a candidatura de Flávio Bolsonaro. A orientação sobre as bandeiras estrangeiras foi um dos acontecimentos que marcaram a mobilização, ao lado da presença de aliados e da programação musical.

A participação em manifestações públicas é uma forma legítima de expressão política, desde que respeitados os direitos dos demais cidadãos e as regras aplicáveis. Os participantes têm o direito de defender suas convicções, assim como pessoas com posições diferentes têm o mesmo direito de se manifestar.

O principal fato do episódio é que a organização pediu que as bandeiras estrangeiras fossem guardadas para que o ato priorizasse os símbolos brasileiros. A orientação foi registrada pela imprensa, mas não deve ser interpretada, sem outras evidências, como prova de uma mudança de posição sobre os países cujas bandeiras foram mencionadas.

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