Paulo Skaf aponta falhas do governo Lula e culpa Brasil por “tarifaço” dos EUA

Paulo Skaf aponta falhas do governo Lula e culpa Brasil por “tarifaço” dos EUA

Para o presidente da Fiesp, o governo brasileiro provocou os Estados Unidos e agora o caminho é apostar na diplomacia para tentar reverter a alta das tarifas.

Paulo Skaf, presidente eleito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), não poupou críticas ao governo Lula ao falar sobre a imposição da tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começa a valer nesta quarta-feira (6).

Em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, Skaf afirmou que o governo tomou atitudes que prejudicaram o Brasil e contribuíram para essa reação dos EUA. Ele citou, por exemplo, a participação do país na reunião dos Brics no fim de junho e o discurso de Lula defendendo a desdolarização, movimentos que, na visão dele, “mexeram com quem é nosso maior cliente em manufaturas”.

“O que o governo fez não foi uma boa política. Provocamos os Estados Unidos, e não estamos em uma boa fase com eles por várias razões”, avaliou Skaf. Para ele, é preciso ter clareza e cuidado para tentar acalmar essa tensão.

Mesmo antes de assumir seu novo mandato na Fiesp em janeiro de 2026, Skaf já se coloca à disposição para ajudar nas negociações com Washington. Ele ressaltou que o melhor caminho para o Brasil é um gesto do governo que faça os americanos reconsiderarem a medida. “Espero que o presidente Lula consiga um bom diálogo com Trump e que nossos países se entendam”, afirmou.

Skaf destacou que as pequenas e médias empresas são as que mais sofrerão com as tarifas, já que muitos setores ficaram de fora das exceções anunciadas. Segundo ele, se a situação não se resolver, as exportações brasileiras para os EUA podem cair de US$ 40 bilhões para US$ 30 bilhões por ano, o que pode significar a perda de cerca de 100 mil empregos e uma redução de 0,5% no PIB.

Para ampliar o trabalho diplomático, Skaf anunciou a criação de um “Conselho Global” na Fiesp, que terá como prioridade reforçar a relação comercial com os Estados Unidos, com o ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, à frente do conselho.

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