
PCC na mira mundial: líderes de esquema bilionário entram para a lista vermelha da Interpol
Chefes da facção que fraudavam combustíveis e lavavam bilhões agora são caçados em 196 países
A caçada contra os líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) ultrapassou as fronteiras do Brasil. Oito nomes ligados ao megaesquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, desbaratado pela operação Carbono Oculto, foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol — uma espécie de alerta global que permite a 196 países identificar e prender criminosos procurados.
Entre os mais visados estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o temido Beto Louco. Eles são apontados como cabeças do esquema que movimentou bilhões e infiltrou a facção no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Ambos seguem foragidos e, por isso, entraram oficialmente na lista de criminosos mais caçados do mundo.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, a quadrilha atuava de forma empresarial: controlava distribuidoras, usava fintechs para lavar dinheiro e até manipulava fundos de investimento na Faria Lima, coração financeiro de São Paulo. A Receita Federal calcula que só em impostos sonegados o rombo passe de R$ 7,6 bilhões.
A operação, considerada a maior já feita contra o crime organizado no Brasil, mobilizou 1.400 agentes em oito estados. Apesar da força-tarefa, apenas seis suspeitos foram presos até agora, enquanto os demais escaparam, levantando suspeitas de vazamento de informações.
Além de Mourad e Leme da Silva, também estão na lista de foragidos Daniel Dias Lopes, apontado como peça-chave por suas conexões com distribuidoras, sua esposa Miriam Favero Lopes, além de Felipe Renan Jacobs, Renato Renard Gineste, Rodrigo Renard Gineste e Celso Leite Soares.
Para a Polícia Federal, a quantidade de fugitivos surpreende. O próprio diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, classificou o resultado como “estranho” e fora do padrão de efetividade esperado.
A Interpol já mantém 75 brasileiros na difusão vermelha, mas nem todos aparecem publicamente no site da organização, por questões estratégicas de inteligência.
Enquanto isso, os tentáculos do PCC seguem sendo expostos: a facção controlava ao menos 40 fundos de investimentos avaliados em R$ 30 bilhões e mais de 2.500 postos de combustíveis em São Paulo estariam envolvidos em fraudes. Uma rede criminosa tão ampla que transforma o crime organizado em um verdadeiro império econômico paralelo.