
PCO rejeita Lula e Flávio Bolsonaro e orienta voto nulo no segundo turno; decisão rompe com apoio dado ao petista em eleições anteriores
Rui Costa Pimenta afirma que nenhum dos dois candidatos representa os objetivos políticos defendidos pelo partido; legenda critica a relação do PT com o Supremo Tribunal Federal e também rejeita a candidatura do senador do PL.
O Partido da Causa Operária (PCO) decidiu orientar seus filiados e apoiadores a votar nulo no segundo turno da eleição presidencial de 2026, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada durante a Conferência Nacional da legenda, realizada no domingo, 11 de outubro, em São Paulo, e anunciada pelo presidente do partido, Rui Costa Pimenta.
A posição foi divulgada pelo InfoMoney em 13 de outubro e representa uma mudança em relação a eleições anteriores, quando a legenda apoiou Lula em diferentes disputas presidenciais. Desta vez, o partido decidiu não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos que avançaram para o segundo turno. <Cite refs={[“turn951828news0″,”turn951828search8”]}/>
Críticas de Rui Costa Pimenta a Lula e ao PT
Ao explicar a decisão, Rui Costa Pimenta afirmou que o PT não representa uma alternativa de oposição ao sistema político vigente. O dirigente criticou especialmente a relação do partido com o Supremo Tribunal Federal (STF), que considera incompatível com os objetivos políticos defendidos pelo PCO.
“O PT fez uma aliança com aquilo que tem de pior no regime político brasileiro, que é o STF”, declarou o dirigente, conforme a reportagem do InfoMoney.
Pimenta também criticou aspectos da política econômica e da política externa do governo Lula. Para o PCO, o posicionamento do PT ao longo do atual mandato justifica a mudança de orientação eleitoral.
A decisão mostra que, apesar de o partido ter apoiado Lula em eleições anteriores, a legenda não considera esse histórico suficiente para repetir o apoio em 2026. A direção afirma que sua posição atual decorre de divergências políticas com o governo e com as alianças estabelecidas pelo petista.
Por que o PCO também rejeita Flávio Bolsonaro?
A orientação pelo voto nulo não significa que o partido tenha decidido apoiar Flávio Bolsonaro indiretamente. Rui Costa Pimenta também descartou a candidatura do senador do PL e afirmou que ela não corresponde aos objetivos políticos da organização.
O dirigente classificou a candidatura de Flávio como expressão de tendências reacionárias e declarou que o PCO não votaria nele.
Assim, a decisão da legenda é de rejeição às duas candidaturas, embora por razões que o partido apresenta dentro de sua própria análise política. A orientação não deve ser interpretada como uma adesão ao candidato adversário de Lula, nem como apoio a uma terceira candidatura, já que o segundo turno se restringe aos dois nomes classificados.
A mudança em relação às eleições anteriores
O histórico eleitoral do PCO ajuda a compreender a repercussão da decisão. A legenda apoiou Lula em 1989, 1994 e 1998, além de ter defendido sua candidatura em 2018, quando o petista acabou impedido de disputar a eleição. Naquele ano, o partido não transferiu seu apoio para Fernando Haddad, escolhido pelo PT como substituto.
Em 2022, o PCO voltou a apoiar Lula desde o primeiro turno. Na eleição de 2026, porém, Rui Costa Pimenta concorreu à Presidência pela própria legenda e obteve 15.024 votos, segundo os dados apresentados pelo Metrópoles.
A orientação pelo voto nulo neste segundo turno marca, portanto, uma ruptura com a estratégia adotada em 2022. O partido decidiu que não apoiará Lula, apesar das alianças eleitorais anteriores, e tampouco recomendará o voto em Flávio Bolsonaro.
O que significa a orientação pelo voto nulo?
O voto nulo é uma manifestação individual do eleitor e não se confunde com o voto em branco. Na eleição presidencial, votos nulos e brancos não são contabilizados como votos válidos para determinar o candidato eleito.
A orientação partidária expressa a posição política do PCO, mas não obriga seus filiados ou eleitores a seguirem a recomendação. Cada eleitor mantém a liberdade de escolher entre os candidatos, votar em branco, anular o voto ou tomar sua decisão de acordo com sua própria avaliação.
A decisão também não altera as regras do segundo turno nem interfere diretamente na apuração. Seu efeito político está na mensagem que a legenda pretende transmitir ao recusar apoio aos dois concorrentes.
Conclusão
A decisão do PCO de orientar o voto nulo no segundo turno evidencia a distância política que a legenda afirma manter tanto em relação ao governo Lula quanto à candidatura de Flávio Bolsonaro. Rui Costa Pimenta justificou a posição com críticas ao PT, à sua relação com o STF e às políticas adotadas pelo governo, ao mesmo tempo que rejeitou a candidatura do PL por divergências ideológicas.
O episódio também demonstra que o apoio eleitoral dado a Lula em disputas anteriores não se repetirá automaticamente em 2026. A direção do PCO optou por uma posição própria, sem adesão a nenhum dos dois finalistas.
A orientação, entretanto, representa uma decisão partidária, e não uma indicação sobre como o eleitorado em geral deve votar. O segundo turno continua sendo uma escolha individual, e a posição do PCO deve ser compreendida dentro da trajetória, das críticas e dos objetivos políticos declarados pela própria legenda.