
PF avança contra a farra do INSS e prende filho do “Careca” em nova ofensiva contra fraudes
Operação Sem Desconto mira esquema bilionário que desviava dinheiro de aposentados; servidores da Previdência e aliados políticos estão entre os alvos
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), mais uma fase da Operação Sem Desconto e aprofundou o cerco contra o esquema que saqueava aposentadorias e pensões do INSS. Entre os presos está Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores da fraude.
A ofensiva também atingiu o alto escalão da Previdência. O secretário-executivo do ministério, Aldroaldo Portal, foi afastado do cargo e passou a cumprir prisão domiciliar. Ao todo, a operação cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal, escancarando a dimensão nacional do esquema.
As investigações revelam uma organização criminosa bem estruturada, dividida em núcleos especializados: um cuidava da coleta ilegal de dados de beneficiários, outro inseria informações falsas nos sistemas oficiais, enquanto um terceiro era responsável por esconder e movimentar o dinheiro desviado. Tudo isso com autorização do Supremo Tribunal Federal, que acompanha o caso.
Além disso, a PF cumpriu mandados de busca ligados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA) e a um assessor parlamentar. Outro alvo é o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho de um ex-diretor de Benefícios do INSS, já preso em fase anterior da investigação.
O escândalo, que ficou conhecido como a “Farra do INSS”, veio à tona no fim de 2023, após reportagens denunciarem o crescimento explosivo de descontos indevidos feitos por associações de fachada. Em apenas um ano, essas entidades chegaram a arrecadar cerca de R$ 2 bilhões às custas de aposentados — muitos deles idosos e em situação de extrema vulnerabilidade.
Na prática, os beneficiários tinham valores retirados automaticamente de seus pagamentos, como se fossem filiados a associações que prometiam serviços que nunca existiram. Assistência jurídica, convênios médicos e outros benefícios eram apenas desculpas para legitimar o roubo mensal.
O impacto político foi imediato. A operação levou à queda do então presidente do INSS e à saída do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Pressionado pela gravidade do escândalo, o governo anunciou a devolução dos valores desviados, com ressarcimento em parcela única e prazo estendido para contestação até fevereiro de 2026.
Enquanto isso, o “Careca do INSS” segue preso desde setembro, simbolizando um esquema que não apenas desviou bilhões, mas expôs o abandono de quem deveria proteger os mais frágeis. A nova fase da operação reforça uma constatação amarga: o golpe não foi só financeiro, foi moral — e atingiu diretamente quem mais precisava do Estado.