PF liga lobista do INSS a senador aliado de Lula — e governo finge surpresa

PF liga lobista do INSS a senador aliado de Lula — e governo finge surpresa

Mensagens, planilhas e bilhetes apontam “parceria” política enquanto discurso oficial insiste que é só coincidência

A Polícia Federal resolveu juntar as peças — e o quebra-cabeça começa a incomodar o Planalto. Um relatório da PF aponta uma relação considerada “forte” entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o famoso Careca do INSS, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado. Tudo muito documentado: mensagens de WhatsApp, planilhas financeiras e até anotações feitas à mão.

Segundo os investigadores, o material indica uma conexão direta entre interesses empresariais e políticos, com indícios de uma estrutura organizada para movimentação de recursos, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o esquema de desvios de aposentadorias e pensões do INSS. Mas, claro, oficialmente, ninguém viu nada — e Lula segue dizendo que combate a corrupção “como nunca”.

Em mensagens analisadas pela PF, um funcionário do lobista afirma que “o senador Weverton é parceiro do Antônio”, em conversa sobre convites para eventos em camarotes usados justamente para aproximar empresários suspeitos e figuras do poder. Nada muito diferente do velho roteiro de Brasília: churrasco aqui, show ali, e negócios acolá.

Planilhas apreendidas reforçam a suspeita. Em uma delas, aparece a anotação “Grupo Senador Weverton”. Em outra, uma lista de empresas, prestadores e “facilitadores” vem acompanhada da palavra “senador”, o que, para a PF, sugere um vínculo político claro. Tudo isso enquanto o governo repete o discurso de que são apenas “ilações”.

O senador, previsivelmente, nega qualquer ligação com o Careca do INSS. Diz que não há transferência de valores em seu nome, que nunca recebeu dinheiro e que está sendo injustamente envolvido. Ainda assim, admite encontros, reuniões no Senado e até participação em eventos sociais organizados em sua própria casa. Coincidências da vida política brasileira.

A investigação também lança luz sobre o vai-e-vem de assessores entre o gabinete do senador e o Ministério da Previdência — área estratégica e sensível, especialmente em um governo que prometeu moralizar o sistema. Ex-assessores aparecem em mensagens tratando de “acertos”, “faltas” e até do famoso “faz-me rir”, expressão que, segundo a PF, costuma ser sinônimo de dinheiro vivo.

Há registros de repasses, planilhas com apelidos e referências a entregas suspeitas. Ainda assim, todos negam, as defesas reclamam de falta de contexto e o governo segue em silêncio constrangedor — talvez esperando que o assunto se perca no noticiário.

No fim das contas, o caso expõe mais do que um possível esquema: revela a velha contradição de um governo que se vende como paladino da ética, mas convive confortavelmente com aliados enredados em denúncias graves. Para quem prometeu “passar o Brasil a limpo”, os rastros deixados por mensagens, planilhas e anotações parecem contar outra história — com a ironia de sempre: tudo isso bem debaixo do nariz de Lula.

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