
PF Mira Suposto Esquema de Desvio na Merenda Escolar da Bahia e Prejuízo Pode Ultrapassar R$ 1,7 Milhão
Operação da Polícia Federal faz buscas em cidades baianas e investiga suspeitas de fraude, superfaturamento e favorecimento em contrato milionário da merenda escolar de Ilhéus
A Polícia Federal deflagrou uma operação que colocou novamente sob os holofotes o uso de recursos públicos destinados à alimentação de estudantes da rede municipal. Batizada de “Operação Merenda Digna”, a ação investiga suspeitas de irregularidades em um contrato emergencial de aproximadamente R$ 15,5 milhões para fornecimento de merenda escolar em Ilhéus, no sul da Bahia.
As investigações apontam possíveis práticas de direcionamento de contratação, fraude em licitação, conluio entre empresas e superfaturamento na compra de alimentos destinados às escolas municipais. Segundo a PF, o prejuízo estimado aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 1,7 milhão.
Operação da PF atinge empresários e órgãos públicos
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em cidades como Camaçari, Lauro de Freitas, Itagimirim e Ilhéus.
Um dos alvos da operação foi um empresário do setor alimentício, investigado por suposta participação no esquema. A PF realizou diligências em um condomínio localizado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, mas o investigado não foi encontrado no imóvel durante a ação. Segundo informações apuradas no local, a residência estaria atualmente alugada a terceiros.
As buscas também atingiram órgãos públicos, empresas e endereços ligados a servidores municipais e empresários suspeitos de participação nas irregularidades.
Investigação aponta suspeita de superfaturamento na merenda
De acordo com os investigadores, diversos itens adquiridos para a alimentação escolar teriam sido contratados por preços acima dos praticados no mercado varejista — uma situação considerada ainda mais grave pelo fato de compras públicas em larga escala normalmente permitirem preços menores.
A PF afirma que há indícios de que o processo emergencial de contratação teria sido direcionado para beneficiar determinadas empresas, comprometendo a competitividade e levantando suspeitas sobre possível associação criminosa.
A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União, que auxilia na análise técnica dos contratos e documentos apreendidos.
Prefeitura de Ilhéus fica sob pressão
O atual prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso até a divulgação das informações. A Secretaria Municipal de Educação e o gabinete da prefeitura também foram procurados por veículos de imprensa.
Nos bastidores políticos da Bahia, o caso já provoca desgaste e aumenta cobranças por transparência no uso dos recursos destinados à educação pública.
Crimes investigados podem gerar punições severas
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por:
- contratação direta ilegal;
- fraude em licitação;
- associação criminosa;
- corrupção ativa;
- corrupção passiva.
A autorização para as buscas foi expedida pela 1ª Vara Criminal de Ilhéus, após representação da PF e parecer favorável do Ministério Público Estadual.
Escândalos na merenda voltam a expor fragilidade na gestão pública
O caso reacende um tema que frequentemente provoca revolta da população: denúncias envolvendo verbas da alimentação escolar. Quando suspeitas recaem justamente sobre recursos destinados à merenda de estudantes, a indignação ganha ainda mais força.
Enquanto milhares de famílias dependem da alimentação oferecida nas escolas públicas, operações como essa reforçam a pressão por fiscalização rigorosa e punição exemplar em casos de desvio de dinheiro público.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que o material apreendido nas buscas será analisado nos próximos dias para aprofundar o esquema investigado.