
PF pede mais prazo ao STF para concluir investigação sobre Lulinha em operação que apura fraudes bilionárias no INSS
Ministro André Mendonça havia fixado prazo de 60 dias para apresentação de relatório parcial; Polícia Federal alega falta de efetivo e grande volume de provas digitais para justificar atraso na apuração.
A investigação da Operação Sem Desconto, que apura um suposto esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), seguirá por mais tempo do que o inicialmente previsto. A Polícia Federal comunicou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não conseguiu concluir a análise de todo o material apreendido durante a operação e solicitou a ampliação do prazo para apresentar o Relatório Parcial Global das investigações.
Entre os elementos que permanecem sob análise estão os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que figura entre os investigados no inquérito.
A solicitação foi encaminhada ao STF após o prazo de 60 dias estabelecido por André Mendonça para a conclusão das perícias. A determinação do ministro buscava dar maior celeridade à investigação diante da quantidade de provas já reunidas e da relevância do caso.
Segundo informações apresentadas pela Polícia Federal, o principal obstáculo para o avanço da apuração é a limitação de pessoal. Atualmente, apenas 11 policiais federais trabalham diretamente na análise do material, enquanto a corporação estima que seriam necessários mais de 40 investigadores para atender à demanda dentro do prazo inicialmente fixado.
Outro fator apontado pela PF é o enorme volume de provas digitais recolhidas durante a operação. Ao todo, foram apreendidos aproximadamente 1.700 equipamentos e dispositivos, entre celulares, computadores, HDs, notebooks e pen drives. De acordo com a corporação, cerca de 40% desse material foi periciado até o momento.
A Polícia Federal informou ao Supremo que pretende concluir, nos próximos 30 dias, a análise dos equipamentos apreendidos com os investigados presos durante a operação. Já a perícia dos dispositivos pertencentes aos demais investigados poderá exigir até seis meses adicionais, em razão da complexidade dos dados armazenados.
O andamento da investigação também ocorre em um momento de forte atenção política, já que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima. Apesar disso, a Polícia Federal sustenta que o pedido de prorrogação decorre exclusivamente de questões técnicas relacionadas à capacidade operacional da equipe responsável pelas perícias.
A Operação Sem Desconto investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo benefícios do INSS e busca identificar a eventual participação de pessoas físicas e jurídicas, além de rastrear movimentações financeiras, comunicações eletrônicas e documentos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Caberá agora ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, analisar o pedido da Polícia Federal e decidir se concede a prorrogação do prazo para a continuidade das diligências e da produção do relatório parcial da investigação. Enquanto isso, as apurações seguem em andamento e os investigados permanecem resguardados pelo direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório.