
PGR leva Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo ao STF por coação
Procurador-geral acusa dupla de usar sanções estrangeiras para pressionar Justiça brasileira e proteger Bolsonaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia nesta segunda-feira contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador Paulo Figueiredo no Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos são acusados de coação em processo judicial, por articularem, a partir dos Estados Unidos, medidas que resultaram em sanções contra o Brasil e ministros do STF.
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dupla buscava criar um clima de medo e instabilidade, usando a ameaça de represálias internacionais como forma de interferir em julgamentos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao próprio Figueiredo.
A denúncia aponta que Eduardo e Figueiredo chegaram a alardear publicamente, nas redes sociais, sua influência junto a autoridades americanas, sempre com a mesma meta: evitar condenações no caso da trama golpista ou garantir uma anistia ampla para Bolsonaro e aliados.
“As condutas foram inequívocas e consistentes, estruturadas pela ameaça de obtenção de sanções estrangeiras contra ministros e contra o próprio país”, escreveu Gonet.
O procurador destaca ainda que, ao agir assim, os dois colocaram interesses pessoais e familiares acima da estabilidade institucional do Brasil.
A pena prevista para o crime de coação varia de um a quatro anos de prisão, além de multa.
Embora citados na investigação, Jair Bolsonaro, já condenado a 27 anos de prisão, e o pastor Silas Malafaia não foram denunciados.
Na avaliação da PGR, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo tentaram impor ao Brasil a condição de um país tutelado por interesses externos, subjugando a Justiça às vontades do clã Bolsonaro.