
PL fecha com Zambelli: partido se une para barrar cassação, mesmo após condenação
Enquanto defesa da deputada pede acareação com hacker Delgatti, partido promete voto em bloco para manter mandato de parlamentar condenada pelo STF
Mesmo condenada pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) ganhou nesta quarta-feira (2) um gesto claro de apoio do seu partido. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a sigla vai fechar questão — ou seja, exigir que toda a bancada vote unida — contra a cassação do mandato da parlamentar.
A decisão, segundo ele, partiu do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em sintonia direta com o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Valdemar jamais tomaria essa decisão sem antes estar alinhado com o presidente Bolsonaro”, disse Sóstenes, deixando claro que a ordem veio de cima.
Enquanto isso, a defesa de Zambelli tenta ganhar tempo. Em manifestação enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os advogados pediram uma acareação entre a deputada e o hacker Walter Delgatti Neto, com quem ela teria tramado a invasão dos sistemas do CNJ. Ambos foram condenados pelo STF — ele está preso, e ela fugiu para a Itália.
O pedido de acareação surge no momento em que o processo de cassação avança na Câmara. Como prevê o regimento, após uma condenação com trânsito em julgado, o caso vai para análise da CCJ, que decide se a parlamentar deve perder o mandato.
O passado volta à tona
A situação de Zambelli é delicada. Além da condenação no Supremo, pesa sobre ela o episódio que virou um dos símbolos do segundo turno das eleições de 2022: a cena em que corre armada pelas ruas de São Paulo atrás de um homem negro. O ato teve repercussão nacional e, segundo aliados de Bolsonaro, contribuiu para a derrota na disputa presidencial.
Depois disso, Zambelli se afastou dos holofotes, foi autorizada a tirar uma licença de 127 dias da Câmara e teve os vencimentos bloqueados. Mesmo assim, já expressou publicamente sentir-se abandonada por Bolsonaro, que chegou a responsabilizá-la pela derrota nas urnas.
Agora, no entanto, o PL tenta apagar as mágoas. Sóstenes disse que o apoio à deputada não se trata de favoritismo: “Não é só por ser a Zambelli. Nós agiríamos da mesma forma com qualquer integrante da nossa bancada”, afirmou.
E completou, com tom de lealdade partidária: “O PL estará ao lado de todos os seus soldados, por mais feridos que estejam.”