
Policiais são presos por roubo durante resgates de terremoto na Venezuela; agentes são acusados de furtar dinheiro das vítimas
Quatro integrantes da polícia científica venezuelana foram expulsos da corporação após denúncias de que aproveitaram as operações de busca para se apropriar de dólares e objetos de valor encontrados entre os escombros. Governo promete punição rigorosa enquanto número de mortos segue aumentando.
Quatro policiais do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC) foram presos e expulsos da corporação após serem acusados de furtar dinheiro e objetos de valor pertencentes às vítimas dos terremotos que devastaram o estado de La Guaira, no norte da Venezuela.
As denúncias provocaram forte indignação no país, já que os agentes participavam justamente das operações de resgate em uma das maiores tragédias recentes enfrentadas pelos venezuelanos. Em vez de auxiliar exclusivamente no salvamento das vítimas, os policiais são suspeitos de ter se aproveitado do cenário de destruição para recolher bens encontrados entre os escombros.
As investigações tiveram início depois que moradores denunciaram o desaparecimento de dinheiro e objetos pessoais durante os trabalhos de busca. Um dos episódios mais repercutidos ocorreu na região de Playa Grande, onde um policial foi filmado segurando cédulas de dólar enquanto era confrontado por moradores revoltados.
As imagens rapidamente viralizaram nas redes sociais. No vídeo, vizinhos acusam o agente de tentar confiscar o dinheiro sob a alegação de que as notas seriam “material de prova”. A discussão ficou ainda mais tensa quando alguns moradores rasgaram cédulas de US$ 100 diante do policial, em protesto contra a conduta dos agentes.
Segundo o jornal venezuelano El Diario, o diretor do CICPC, Douglas Rico, confirmou que os quatro policiais abandonaram suas funções institucionais ao se apropriarem de bens encontrados durante as operações de emergência.
Em nota oficial, a corporação informou que todos os envolvidos foram imediatamente afastados, expulsos da polícia, presos e responderão tanto a processos administrativos quanto criminais.
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, também se manifestou sobre o caso e afirmou que o governo adotará “tolerância zero” contra servidores públicos que utilizem o cargo para cometer crimes, principalmente em meio a uma tragédia humanitária.
Enquanto as investigações avançam, a situação nas áreas atingidas continua dramática. O balanço mais recente divulgado pelas autoridades aponta 1.943 mortos, 10.571 feridos e 6.461 pessoas resgatadas com vida desde os terremotos que atingiram o país em 24 de junho.
Em meio ao cenário de devastação, uma das poucas notícias que trouxe esperança foi o resgate de um menino de apenas 3 anos, encontrado vivo após permanecer seis dias soterrado sob os escombros de uma residência. A operação foi realizada por uma equipe especializada da Jordânia, que atuava no apoio internacional às buscas.
O episódio envolvendo os policiais acusados de roubo amplia a revolta da população venezuelana, que enfrenta não apenas os efeitos devastadores do desastre natural, mas também denúncias de abusos praticados por agentes públicos durante um dos momentos mais delicados da história recente do país.