
“Precisamos defender a fé”, diz Simone Tebet após polêmica com Nossa Senhora Aparecida
Candidata ao Senado por São Paulo defendeu a liberdade religiosa e criticou decisão de André Mendonça sobre publicações envolvendo a Padroeira do Brasil
A candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) afirmou, em evento realizado diante da Catedral da Sé, que é necessário proteger a liberdade religiosa em meio à recente polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a campanha eleitoral de 2026.
“Precisamos defender a fé”, declarou Tebet, ressaltando que, na sua avaliação, o Estado deve proteger tanto aqueles que professam uma religião quanto aqueles que não possuem fé. A candidata também mencionou a diversidade religiosa e afirmou que a proteção deve alcançar cristãos e pessoas de religiões de matriz africana.
A manifestação ocorreu no contexto da controvérsia envolvendo publicações nas redes sociais que atribuíram ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio negou essa proposta, e a controvérsia acabou chegando à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal.
Tebet critica decisão de André Mendonça
Sem citar diretamente o nome do ministro, Simone Tebet criticou a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que havia determinado a remoção de publicações relacionadas à falsa alegação sobre Nossa Senhora Aparecida.
A decisão determinava que plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube retirassem conteúdos já identificados e também novas publicações que reproduzissem o mesmo núcleo factual, sem necessidade de uma nova decisão judicial para cada postagem.
Tebet classificou a medida como uma restrição à liberdade de expressão e afirmou que a decisão acabou alcançando também conteúdo relacionado ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.
Flávio Dino derrubou decisão
A controvérsia ganhou outro capítulo quando o ministro Flávio Dino, também do STF, derrubou a decisão de Mendonça e determinou o restabelecimento das publicações retiradas do ar.
Segundo a decisão de Dino, não havia segurança suficiente quanto à existência de uma ilegalidade que justificasse uma restrição tão ampla à liberdade de expressão. O episódio passou, assim, a envolver uma divergência entre dois ministros do Supremo sobre os limites da intervenção judicial em conteúdos publicados durante uma disputa eleitoral.
Um tema que entrou na campanha eleitoral
O caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço na campanha presidencial justamente em um período no qual religião e liberdade religiosa passaram a aparecer com maior frequência nos discursos dos candidatos.
De um lado, Flávio Bolsonaro nega ter defendido a retirada do título de Padroeira do Brasil. De outro, publicações nas redes sociais atribuíram essa intenção ao candidato e foram objeto de decisões judiciais. A discussão acabou envolvendo Flávio Bolsonaro, Antonio Tabet, André Mendonça, Flávio Dino, plataformas digitais e o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.
A fala de Simone Tebet acrescenta uma terceira dimensão ao episódio: a defesa da liberdade religiosa. Para a candidata, o debate deve preservar tanto o direito de quem acredita quanto o de quem não acredita.
O episódio mostra como uma informação falsa ou contestada nas redes sociais pode rapidamente ultrapassar o ambiente digital e chegar ao centro da disputa eleitoral, envolvendo candidatos, ministros do STF, liberdade de expressão e símbolos religiosos de forte significado para milhões de brasileiros.