
Pressionado pelo preço dos alimentos, Trump recua e corta tarifas sobre carne, café e produtos importados
Medida tenta conter insatisfação popular com a inflação e reverte parte do tarifação que o próprio governo criou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu dar um cavalo de pau em sua política comercial. Nesta sexta-feira (14), ele assinou um decreto que remove tarifas de diversos alimentos importados, como carne bovina, tomate, café e banana — taxas que ele mesmo havia imposto no início do ano a quase todos os países.
A Casa Branca justificou a medida dizendo que ela faz parte de um esforço para responder à insatisfação crescente dos americanos com o alto custo da comida, que vem pressionando famílias de todo o país.
As isenções passam a valer retroativamente desde a meia-noite de quinta-feira, permitindo que importadores solicitem reembolsos dentro das regras da Alfândega dos EUA.
Virada estratégica após derrotas eleitorais
O recuo acontece logo depois que os democratas conquistaram importantes vitórias em eleições estaduais, especialmente onde o custo de vida dominou os debates.
Apesar de Trump repetir há meses que suas tarifas não contribuem para a inflação, o gesto indica que a pressão política falou mais alto.
Além disso, o anúncio veio na sequência de uma nova estrutura de acordos comerciais que deve zerar tarifas sobre produtos da Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador assim que as negociações forem concluídas. O governo americano já mira novos acordos até o fim do ano.
Críticas: “apagando o incêndio que ele mesmo causou”
Economistas e opositores afirmam que os preços dos alimentos subiram justamente por causa do tarifaço de Trump, e que o corte atual tenta remediar um problema criado pelo próprio governo — um ponto ecoado pelo congressista democrata Richard Neal:
“O governo Trump está apagando o incêndio que ele começou e dizendo que isso é progresso”, afirmou.
“Desde que essas tarifas entraram em vigor, a inflação subiu e a manufatura encolheu mês após mês.”
Impacto internacional: Brasil entre os beneficiados
Entre os países exportadores, o Brasil deve ser um dos maiores favorecidos pela medida.
O país é líder mundial em café e o segundo maior produtor de carne bovina, dois dos itens que agora ficam livres de tarifas nos EUA.