Brics no Rio: Lula desafia OTAN, Irã causa ruído e Putin aparece só no telão

Brics no Rio: Lula desafia OTAN, Irã causa ruído e Putin aparece só no telão

Primeiro dia da cúpula do Brics é marcado por tensão diplomática, críticas ao Ocidente e ausências calculadas em meio à guerra de narrativas globais

O primeiro dia da Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, começou quente — e não só pela temperatura da cidade. Neste domingo (6), o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos integrantes como Irã, marcou sua reunião com discursos duros, divergências públicas e críticas explícitas a potências ocidentais.

Logo de cara, o Irã resolveu deixar clara sua posição histórica: recusou-se a apoiar qualquer menção à existência do Estado de Israel, reafirmando sua defesa de um Estado Palestino único. O gesto foi registrado em uma nota separada, prática diplomática comum quando um país quer discordar sem travar totalmente o consenso. Isso evitou um impasse maior no grupo, o que seria um desgaste diplomático considerável para o Brasil, anfitrião do encontro.

Além disso, a declaração final da cúpula trouxe a inédita condenação a ataques sofridos por dois de seus membros: Irã e Rússia. Foi a primeira vez que o Brics mencionou diretamente ataques em solo russo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Mesmo assim, o grupo continua dividido e não chegou a um posicionamento comum sobre o conflito.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, participou à distância, com um discurso transmitido por videoconferência diretamente de Moscou. No entanto, o governo brasileiro optou por não exibir publicamente a fala do líder russo nem as dos demais chefes de Estado presentes — uma decisão claramente estratégica diante das tensões geopolíticas.

Lula, por sua vez, não economizou nas críticas e aproveitou a abertura da cúpula para mandar recados. Primeiro, mirou na Otan, criticando a decisão da aliança de aumentar os gastos militares para 5% do PIB, medida tomada sob pressão do ex-presidente americano Donald Trump. Depois, apontou a mira para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), acusando-a de estar a serviço das potências ocidentais ao lidar com o programa nuclear iraniano — argumento alinhado com a visão de Teerã.

Com discursos firmes, ausências simbólicas e desentendimentos expostos, o Brics parece querer mostrar força diante do Ocidente, mas as fissuras internas ainda gritam mais alto que a unidade pretendida. E o Brasil, no meio disso tudo, tenta manter o jogo diplomático sem sair chamuscado.

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