
“Primeiro escalão na mira”: CPMI do INSS prepara semana explosiva e até alfaiate vira peça-chave
Relator promete novas quebras de silêncio, convocações inesperadas e um alfaiate que teria costurado ligações milionárias entre parlamentares e associações do esquema.
A CPMI do INSS está prestes a entrar na fase que os parlamentares chamam de “andar de cima” do esquema. Segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a investigação começa agora a tocar nas portas do primeiro escalão — exatamente aqueles que, segundo ele, garantiram a sobrevivência do esquema bilionário dentro da Previdência.
Para abrir a semana, na próxima segunda-feira (17/11), serão ouvidos o ex-coordenador-geral de Pagamentos do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, e o empresário Thiago Schettini, ambos alvos da Operação Sem Desconto, que drenou mais de R$ 6,3 bilhões dos bolsos de aposentados com cobranças indevidas.
Jucimar, que coleciona 11 requerimentos de convocação, deve passar por avaliação médica após apresentar um atestado que o exime de ser ouvido. Já Schettini é apontado como um dos facilitadores do esquema, recebendo valores robustos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o famoso “Careca do INSS”.
Até alfaiate entrou na roda — e não é para ajustar terno
Carlos Viana revelou ainda que pretende convocar um alfaiate, cujo nome permanece sob sigilo, que teria recebido cerca de R$ 2 milhões. Segundo o senador, esse profissional foi repetidamente citado como intermediário entre associações e parlamentares — uma espécie de costureiro político que alinhavava encontros, favores e, ao que tudo indica, dinheiro.
“Vamos ver que tipo de costura ele fez ao longo da vida profissional”, ironizou Viana, deixando claro que espera respostas que possam desmontar a teia do esquema.
A CPMI acelera — e o xadrez político começa a se mover
Viana afirmou que toda a agenda da CPMI está organizada, mas isso não significa rigidez: novos depoentes podem ser encaixados a qualquer momento.
“Se for preciso, abrimos uma pauta extra”, declarou. “Outros nomes vão aparecer. A investigação já aponta para o favorecimento de mais parlamentares.”
O senador reforça que o caminho da CPMI agora segue diretamente para o coração político da fraude.
“Estamos chegando no primeiro escalão. Queremos saber quanto ganharam, como atuaram e qual a responsabilidade de cada um.”