
Vaiada ao Lado de Lula, Governadora Reage e Diz que Só Acontece Porque É Mulher
Raquel Lyra tenta manter o discurso em meio ao coro de reprovação, enquanto o presidente inaugura obras e assiste à própria base hostilizar a governadora. O clima? Uma mistura de constrangimento, política e ironia involuntária.
O clima político em Cupira (PE) ficou mais quente que o sol do Agreste. Durante um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a governadora Raquel Lyra (PSD) estava no meio do seu discurso quando a plateia começou a vaiá-la — alto, forte e sem cerimônia.
Diante do barulho, Lyra respondeu com firmeza e uma pitada de indignação:
“Se eu fosse homem, não estaria sendo vaiada.”
A cena viralizou, e não sem motivo: é raro ver esse tipo de embate público justamente num evento em que a anfitriã é colocada sob o fogo amigo — ou nem tão amigo assim.
“Isso não me derruba”, garante Lyra
Tentando manter a compostura, a governadora afirmou que nada daquilo a intimidaria. Disse que sua meta é “abrir portas”, que o caminho até ali não foi fácil e que não pretende recuar:
— “Isso não me para, isso me dá força. Sou apaixonada por Pernambuco e continuarei fazendo meu trabalho.”
Ainda teve espaço para um afago diplomático a Lula:
“Do mesmo jeito que seu governo não nos falta, Pernambuco não lhe faltará.”
Um recado educado, mas numa moldura bem desconfortável: falar isso enquanto parte da plateia vaiate? Ironias do palco político.
Entre vaia, eleição e água do São Francisco
Lyra também ressaltou que estamos em ano de disputa eleitoral — e que isso explica muita coisa. Disse que é momento de governar, cuidar e lembrar daquilo que, segundo ela, une todos: “o amor por Pernambuco”.
O evento era a inauguração da Barragem de Panelas II, parte do programa Caminho das Águas, que leva água do São Francisco a regiões secas do Nordeste. Além de Lula e Lyra, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), estava no palanque — porque, em ano eleitoral, ninguém larga a mão de ninguém (ou pelo menos tenta não largar).
Lula aproveitou para anunciar a retomada da Barragem de Igarapeba, em São Benedito do Sul. Enquanto isso, o público continuava dividido, deixando claro que, em Pernambuco, alianças estão mais frágeis que reservatório em tempo de seca.