
“Projeto atleta em ano eleitoral?”: vídeo de Lula treinando vira alvo de ironias e críticas nas redes
Exibição de rotina fitness aos 80 anos levanta questionamentos sobre estratégia de imagem em meio a desgaste do governo
Uma tentativa de mostrar disposição acabou se transformando em combustível para críticas. A primeira-dama Rosângela da Silva publicou um vídeo exibindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva treinando em uma academia logo nas primeiras horas da manhã — e o que era para impressionar acabou gerando desconfiança e ironia.
Na gravação, feita em tom de “prova de autenticidade”, Janja faz questão de enfatizar: “é ao vivo, sem inteligência artificial”. Segundo ela, o presidente já estava treinando desde as 6h da manhã e demonstrava energia ao realizar exercícios como esteira e agachamento com peso.
A legenda reforça a narrativa: “Firme e forte, sem IA e sem PowerPoint”. Mas, do lado de fora das redes oficiais, a recepção foi bem diferente.
Para muitos internautas, o vídeo soou menos como um registro espontâneo e mais como uma tentativa calculada de construção de imagem — especialmente em um cenário político delicado. Em meio a críticas sobre a condução do governo, a exibição de vigor físico passou a ser vista por alguns como uma espécie de “marketing pessoal antecipado”.
A fala do próprio presidente no vídeo também chamou atenção. “Quem quiser viver até os 120 anos, tem que fazer o que eu faço”, disse, em tom descontraído. A frase, porém, foi recebida com sarcasmo por parte do público, que contrastou o discurso otimista com a percepção negativa sobre a situação do país.
Não é segredo que Luiz Inácio Lula da Silva já enfrentou problemas de saúde no passado, incluindo um câncer na laringe em 2011, superado após tratamento. Desde então, ele adotou uma rotina mais saudável, intensificada após cirurgia no quadril em 2023.
Ainda assim, o momento da exposição levantou suspeitas. Em ano pré-eleitoral, qualquer gesto público ganha peso político — e, nesse contexto, até um treino de academia pode ser interpretado como sinal de estratégia.
O problema, segundo críticos, não está na prática de exercícios, mas na desconexão entre a imagem exibida e a realidade percebida por grande parte da população. Enquanto o governo enfrenta avaliações negativas em diferentes áreas, a tentativa de reforçar vigor e vitalidade acaba sendo vista como uma cortina de fumaça.
No fim, o vídeo escancara um ponto sensível da política atual: não basta parecer forte — é preciso convencer. E, para muitos, nem o suor da academia foi suficiente para isso.