
Promessa de taxar super-ricos pode pesar no bolso da classe média
Especialistas alertam que aumento do IOF atinge também consumidores comuns e empresas — e não apenas os endinheirados
O governo Lula tenta emplacar a ideia de que o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) seria uma forma de cobrar mais dos super-ricos e corrigir desigualdades. Mas, na prática, especialistas apontam que os impactos podem ir muito além da elite financeira — e acabar recaindo justamente sobre a classe média e os consumidores em geral.
O plano de elevar o imposto, defendido tanto por Lula quanto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mira ampliar a arrecadação em um momento em que o governo enfrenta dificuldades para fechar as contas. A narrativa oficial é a de justiça fiscal: quem tem mais, paga mais. No entanto, o cenário que se desenha pode ser bem diferente.
Compras internacionais feitas pela classe média, por exemplo — como eletrônicos, roupas e cosméticos — ficariam mais caras. E, para as empresas, o custo adicional gerado pelo imposto tende a ser repassado diretamente ao consumidor final, encarecendo produtos e serviços do dia a dia.
Ou seja, o peso da medida, vendida como uma cobrança aos mais ricos, pode acabar sendo dividido com quem já sente no orçamento os efeitos da inflação, dos juros altos e da instabilidade econômica. É como tentar consertar um vazamento em um andar de cobertura jogando água no térreo.
No fim das contas, o discurso de justiça tributária pode virar mais um caso de “quem menos tem, mais sente”.