
Carnaval bancado pelo povo: quando o trio elétrico sai caro demais elevando o repasse de R$ 300 mil para R$ 1 milhão
Governo da Bahia triplica patrocínio para bloco comandado por ministra de Lula — dinheiro público em festa privada
Enquanto falta recurso para áreas essenciais, sobra dinheiro público para bancar conveniência política em clima de Carnaval. Em 2026, o Governo da Bahia decidiu triplicar o patrocínio ao bloco carnavalesco Os Mascarados, elevando o repasse de R$ 300 mil para R$ 1 milhão — justamente no ano em que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, reassumiu o comando do grupo.
A coincidência é daquelas difíceis de engolir. Nos anos anteriores, quando Margareth aparecia apenas como artista homenageada, o apoio financeiro era bem mais modesto, custeado pela Bahiagás. Bastou ela voltar à liderança do bloco para o valor saltar — e não por pouco.
Desta vez, o dinheiro saiu da Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia, com contrato firmado sem licitação, um detalhe que pesa ainda mais quando se trata de verba pública. O desfile aconteceu na quinta-feira que antecedeu o Carnaval oficial, dentro da programação de Salvador, com estrutura aberta e festiva — mas financiada pelo bolso do contribuinte.
O cenário fica ainda mais indigesto quando se observa o contexto político. Margareth Menezes acumula o cargo de ministra no governo Luiz Inácio Lula da Silva enquanto lidera um bloco beneficiado por recursos estaduais sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues, ambos do mesmo campo político. A pergunta é inevitável: isso é incentivo cultural ou aparelhamento festivo do Estado?
Criado em 1999, o bloco mantém a proposta de desfile sem cordas, com foliões fantasiados. A tradição é legítima, a festa é popular — mas o uso de dinheiro público em valores inflados, sem concorrência e em benefício direto de uma ministra em exercício, levanta suspeitas que vão muito além do confete e da serpentina.
Procurados, nem o governo baiano nem a equipe da ministra deram explicações. O silêncio, nesse caso, fala alto. Em tempos de aperto, ver R$ 1 milhão escorrendo pelo asfalto em nome de conveniência política soa menos como política cultural e mais como deboche com quem paga a conta.