Putin endossa planos de Trump para Groenlândia e vê vantagem estratégica para Rússia

Putin endossa planos de Trump para Groenlândia e vê vantagem estratégica para Rússia

Presidente russo afirma que anexação tem raízes históricas e critica divisões que enfraquecem a Otan

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta segunda-feira (19/1) que o plano do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia não é uma ideia “extravagante”, mas sim parte de uma tradição histórica da política externa americana e uma movimentação estratégica no Ártico.

Segundo Putin, o interesse de Washington pelo território dinamarquês existe há mais de cem anos, sendo a ilha uma peça-chave na disputa geopolítica pelo Ártico. O presidente russo citou como exemplo a compra do Alasca em 1867, inicialmente ridicularizada como uma “geladeira” ou “jardim para ursos polares”, mas que hoje é considerada uma aquisição estratégica.

“É um grande erro pensar que se trata de uma conversa extravagante da nova administração americana. Nada disso”, afirmou Putin, ressaltando que a iniciativa de Trump se encaixa em uma linha histórica de interesses norte-americanos na região.

O líder russo também lembrou que, em 1910, houve negociação trilateral entre Estados Unidos, Alemanha e Dinamarca para a cessão da Groenlândia a Washington, além de bases militares instaladas durante a Segunda Guerra Mundial para impedir ocupação nazista. Após o conflito, os EUA tentaram novamente comprar a ilha, reforçando que se trata de planos sérios e de longa data.

Rússia vê oportunidade e enfraquece a Otan

O Kremlin enxerga no plano de Trump uma vantagem estratégica para Moscou, pois a proposta aumenta as tensões entre os EUA e países europeus, enfraquecendo a Otan — um objetivo de longa data da política externa russa.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, chegou a afirmar que Trump “entraria para a história” caso assumisse o controle da Groenlândia. Já o enviado especial Kirill Dmitriev comemorou o que chamou de “colapso da união transatlântica”, e o ex-presidente russo Dmitry Medvedev ironizou o impacto econômico da iniciativa na Europa.

Putin ainda destacou que o discurso de Trump reforça argumentos usados pela Rússia para justificar a invasão da Ucrânia, baseando-se em interesses históricos e estratégicos para justificar expansão territorial.

O episódio evidencia como movimentos geopolíticos nos polos do planeta podem reescrever alianças e tensões internacionais, enquanto a Groenlândia se torna mais do que uma ilha — um ponto central de disputas globais.

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