
“STF acima de tudo: Dino repreende advogado e impõe ‘serenidade’ em julgamento dos kids pretos”
Em mais um episódio que revela o autoritarismo travestido de “decoro”, Flávio Dino silencia críticas e reafirma o poder absoluto do Supremo, como se os ministros fossem intocáveis e infalíveis.
O Supremo Tribunal Federal mais uma vez mostrou que não aceita ser questionado. Durante o julgamento dos chamados “kids pretos”, nesta quarta-feira (12/11), o ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma, deu uma bronca pública no advogado Jeffrey Chiquini, que ousou criticar as falhas na investigação da PGR e da Polícia Federal.
Chiquini, defensor do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, afirmou que a apuração foi “a pior investigação da história” e acusou o delegado da PF Fábio Shor de induzir a acusação — e até mesmo os ministros — ao erro. Bastou isso para Dino reagir com um discurso firme, repleto de palavras sobre “respeito” e “serenidade”, mas que soou como um recado direto: no STF, quem critica o poder é advertido.
Sem mencionar o nome do advogado, Dino fez questão de reforçar que o tribunal “sabe avaliar as provas” e que “a tribuna do Supremo não é um palanque político”. Em tom professoral, disse ainda que o tribunal exige “respeito aos ritos” e que o comportamento das partes deve se manter dentro da “serenidade e humanidade”.
No entanto, o episódio expôs algo mais profundo: o incômodo dos ministros quando alguém ousa desafiar o discurso oficial. A bronca de Dino ecoa a velha postura do STF — a de um tribunal que fala de democracia, mas não tolera o contraditório.
O advogado, que insistiu em defender a inocência de Rodrigo Bezerra, afirmou que não há provas reais contra o cliente. Segundo ele, a acusação se baseia apenas em um celular que, dias depois da suposta tentativa de golpe, recebeu um chip cadastrado no CPF do militar — argumento frágil, já que, como lembrou, “um especialista em forças especiais não seria ingênuo de usar o próprio CPF em algo ilegal”.
Enquanto isso, Bezerra — o único réu a comparecer pessoalmente ao julgamento — permanece acusado de participar do plano “Copa 2022”, supostamente voltado ao monitoramento e ataque contra o ministro Alexandre de Moraes.
Mas, no Supremo, a narrativa já parece escrita. E quem tenta questioná-la é logo enquadrado. Afinal, como se viu mais uma vez, os ministros não aceitam ser contestados — como se a toga lhes concedesse o direito de serem deuses acima da nação.