
Macron diz “não” a Trump e rejeita Conselho da Paz sobre Gaza
França aponta excesso de poder e risco de conflito com a ONU como motivos para recusa
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (19/1) que não aceitará o convite de Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão internacional criado pelos EUA que pretende supervisionar a reconstrução e a governança da Faixa de Gaza. A decisão foi confirmada por Pascal Confavreux, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França.
“O presidente Macron recebeu o convite, assim como outros líderes. No momento, decidimos não participar”, declarou Confavreux, destacando que a decisão se baseia em dois pontos centrais: o escopo ampliado do Conselho e as preocupações quanto ao respeito à Carta das Nações Unidas.
Segundo o porta-voz, o Conselho da Paz vai além do território de Gaza, enquanto a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU tinha foco restrito ao enclave palestino. Fontes próximas ao governo francês informaram à BFM TV que Paris não pretende, neste momento, dar uma resposta positiva ao convite norte-americano.
Contexto e polêmica internacional
O Conselho da Paz faz parte do plano de Donald Trump para Gaza, dividido em duas fases. A primeira fase envolveu a libertação de reféns israelenses, retirada parcial das tropas de Israel, desarmamento de grupos armados palestinos e criação de uma administração interina no território. A segunda fase, recentemente anunciada por Washington, prevê a criação de estruturas permanentes de governança, incluindo o próprio Conselho da Paz.
Apesar da recusa francesa, outros líderes receberam convites. O Kremlin confirmou que Vladimir Putin foi convidado, e a Bielorrússia também sinalizou interesse na participação. O conselho será presidido por Trump e deve contar com nomes como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff.
Cerca de 60 países receberam convites, incluindo Brasil, Alemanha, Índia e Turquia. A adesão seria por até três anos, com a possibilidade de participação permanente mediante pagamento de US$ 1 bilhão, valor que a diplomacia francesa não comentou.
A decisão de Macron evidencia tensão entre iniciativas unilaterais dos EUA e normas internacionais, levantando questionamentos sobre a legitimidade de um órgão que ultrapassa os limites definidos pela ONU para Gaza.