
Racha no Maranhão: aliados de Dino rompem com Brandão em meio a denúncias, grampos e documentos forjados
Antigos parceiros viram inimigos em uma disputa que mistura acusações de espionagem, chantagem e fraudes no STF — e ameaça os planos de Lula para 2026.
O que era uma parceria política sólida virou um campo de guerra. Aliados do ministro Flávio Dino, hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), romperam oficialmente com o governador Carlos Brandão, seu ex-vice e sucessor no comando do Maranhão. A separação veio cercada de escândalos: acusações de grampos ilegais, chantagens políticas e até documentos falsificados que foram parar no Supremo.
A crise política no estado ganhou corpo depois que áudios comprometedores circularam, revelando conversas de deputados ligados a Dino. Em um dos trechos, o deputado Rubens Jr. (PT-MA) supostamente cobra o governador Brandão para cumprir acordos políticos sobre as eleições municipais e vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A reação do governo foi explosiva: acusações de chantagem, espionagem e traição tomaram o cenário.
Diante do escândalo, parlamentares próximos a Dino pediram demissão das secretarias que ocupavam no governo estadual, acusando o grupo de Brandão de usar “grampos clandestinos” para armar dossiês contra eles. O governador rebateu, dizendo que “não grampeou ninguém” e que foram os próprios deputados que se deixaram gravar.
No meio da confusão, o Ministério Público revelou que três servidores do estado inseriram dados falsos em registros oficiais — colocando o nome do irmão do governador, Marcus Brandão, como dono de uma empreiteira que recebeu mais de R$ 13 milhões em contratos públicos. O caso acabou chegando ao gabinete de Flávio Dino no STF, que determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar a suposta fraude.
O rompimento não é apenas um drama local — é também um problema nacional para Lula, que havia pedido pessoalmente aos dois que “não brigassem dentro de casa”. Agora, o presidente teme que o racha entre Dino e Brandão abra espaço para a oposição crescer no Maranhão em 2026.
Entre trocas de farpas, áudios suspeitos e acusações cruzadas, o que se vê é o desmonte de uma aliança que já governou o estado por quase uma década. O discurso de “renovação política” parece ter se perdido no barulho das gravações e nas disputas por poder.
No fim das contas, o Maranhão virou palco de um enredo que mistura vaidade, desconfiança e ambição — ingredientes perfeitos para um escândalo que mancha não só reputações, mas também o discurso ético de quem, um dia, pregava moralidade e unidade.