
Roberta Luchsinger rebate Lula, denuncia tratamento desigual e promete não aceitar o papel de “boi de piranha”
Empresária afirma que foi exposta publicamente pelo presidente, questiona o silêncio de Lulinha e diz que pretende colaborar com as investigações. O episódio amplia a pressão por esclarecimentos sobre as relações entre investigados e integrantes do governo federal.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger reagiu duramente às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a classificou como “pilantra” durante uma entrevista ao Flow Podcast. Em entrevista à CNN Brasil, exibida no sábado (17 de outubro de 2026), Roberta afirmou que não aceitará ser transformada na única responsável por um caso que, segundo ela, precisa ser esclarecido em todas as suas dimensões.
“Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, declarou a empresária, contestando a diferença de tratamento que, em sua avaliação, Lula estaria dando a ela e ao próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A declaração provoca questionamentos legítimos sobre a necessidade de transparência nas relações entre empresários, lobistas e agentes públicos. Em uma democracia, ninguém deve ser condenado antecipadamente pela opinião pública, mas também não deve receber tratamento privilegiado por causa de relações familiares ou proximidade com o poder.
Roberta acusa Lula de exposição pública e tratamento desigual
Durante a entrevista, Roberta afirmou que o presidente a transformou em um “boi de piranha” ao atacá-la publicamente antes da conclusão das investigações. Segundo ela, a exposição provocou hostilidade contra sua pessoa e suas duas filhas, que, conforme relatou, também estariam recebendo ameaças.
A empresária questionou o que considera uma contradição no discurso presidencial: enquanto Lula a critica, ele defende que seu filho não teria participado de conversas sobre contratos ou negócios com integrantes do governo.
Roberta afirmou ter presenciado Lulinha em encontros com ministros e mencionou viagens e visitas, incluindo uma ida à residência do ministro Camilo Santana, no Ceará. Ela, entretanto, não detalhou os assuntos tratados em todas essas ocasiões e não apresentou, na entrevista, provas conclusivas de que os encontros tenham envolvido práticas criminosas.
O ponto central, portanto, não é presumir culpa, mas esclarecer os fatos. Se houve reuniões, quais foram os participantes? Quais assuntos foram discutidos? Existiram interesses empresariais envolvidos? Houve benefícios indevidos ou interferência em decisões públicas? São perguntas que precisam ser respondidas com documentos, depoimentos e provas verificáveis.
A possibilidade de delação aumenta a pressão por esclarecimentos
Roberta também declarou que pretende buscar um acordo de delação premiada e afirmou que não deseja poupar ninguém. A intenção, caso formalizada, poderá abrir caminho para que as autoridades avaliem informações adicionais sobre as relações investigadas.
É importante destacar que manifestar o desejo de fazer uma delação não significa que um acordo tenha sido celebrado, nem comprova as acusações feitas. Uma eventual colaboração precisará ser examinada pelas autoridades competentes, com verificação dos relatos e busca de elementos independentes que confirmem as informações apresentadas.
O caso está relacionado à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Roberta e Lulinha são investigados em apurações que envolvem suspeitas de tráfico de influência. A existência de investigação, por si só, não significa condenação.
Lula nega relação com a empresária
Em manifestação divulgada à CNN Brasil, Lula afirmou que jamais manteve interlocução com Roberta Luchsinger, que nunca recebeu demandas dela e que não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas. O presidente também declarou que não existe contrato do governo federal com a empresária e questionou o momento em que as acusações vieram a público, às vésperas do segundo turno eleitoral.
A posição presidencial precisa ser considerada, assim como as declarações da empresária. Entretanto, a proximidade do calendário eleitoral não elimina a necessidade de apuração independente, da mesma forma que uma acusação pública não pode ser tratada automaticamente como prova.
Repúdio à intimidação e cobrança de transparência
O episódio merece uma cobrança firme por transparência, responsabilidade e respeito ao devido processo legal. É preocupante quando declarações de autoridades contribuem para transformar uma investigação em julgamento público antes que todos os fatos sejam esclarecidos. Também é necessário repudiar ameaças contra Roberta e suas filhas, caso confirmadas, sem atribuir responsabilidade criminal a qualquer pessoa antes da apuração.
A questão fundamental é simples: se as acusações não têm fundamento, que isso seja demonstrado; se houver indícios concretos de irregularidades, que sejam investigados independentemente do sobrenome, do cargo ou da influência política dos envolvidos.
A sociedade brasileira tem o direito de exigir explicações sobre eventuais relações entre empresários, familiares de autoridades e integrantes do governo. O combate à corrupção precisa ser conduzido sem seletividade, sem perseguição e sem privilégios.
Roberta Luchsinger afirma que não aceitará carregar sozinha o peso das suspeitas. Agora, cabe às autoridades esclarecer o que efetivamente aconteceu, distinguir acusações de provas e assegurar que todos os envolvidos sejam tratados de acordo com a lei. Transparência não pode ser uma exigência apenas para adversários políticos: deve valer para todos.