Rui Costa tenta blindar Lula após encontro com banqueiro investigado

Rui Costa tenta blindar Lula após encontro com banqueiro investigado

Ministro diz que ouvir dono do Banco Master não compromete o presidente e reforça discurso de que agenda do Planalto é “para todos”

Em meio às suspeitas que cercam o Banco Master, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, saiu em defesa do presidente Lula e tentou esfriar a polêmica envolvendo o encontro do chefe do Executivo com o banqueiro Daniel Vorcaro. Para Rui, o simples fato de Lula ter recebido o empresário não desabona nem “inviabiliza” o presidente — como se ouvir fosse sinônimo automático de conivência.

Segundo o ministro, governar de forma democrática exige portas abertas e ouvidos atentos, inclusive para setores que hoje estão sob suspeita. Bancos, empresários, representantes da indústria, do agronegócio e até movimentos sociais fazem parte, segundo ele, da rotina institucional do Planalto. Na visão de Rui Costa, não existe distinção entre receber um banqueiro ou um líder social: todos entram pela mesma porta, ao menos no discurso.

“O presidente conversa com todo mundo”, reforçou Rui, ao lembrar que Lula já se reuniu com dirigentes de grandes bancos, empresários do setor produtivo e representantes de movimentos populares como o MST. Para o ministro, se algum desses atores vier a cometer irregularidades, isso não pode ser jogado na conta do presidente da República.

O encontro específico entre Lula, Vorcaro e Gabriel Galípolo — hoje presidente do Banco Central — ocorreu fora da agenda oficial, em dezembro de 2024. Na ocasião, o dono do Banco Master teria reclamado diretamente ao presidente sobre a concentração bancária no país. Lula, segundo relatos, respondeu que o tema era de responsabilidade do Banco Central, afastando qualquer interferência política.

Questionado sobre a condução do caso pelo BC, Rui Costa adotou cautela. Disse que não cabe ao governo julgar decisões técnicas sem acesso a todos os elementos e lembrou que o Banco Central é formado por servidores experientes, que acompanham diariamente a saúde do sistema financeiro.

Sobre a possibilidade de instalação de uma CPI no Congresso para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master, o ministro foi direto: o Executivo não pretende interferir. De acordo com ele, a escolha é do Legislativo. O governo, por sua vez, afirma já ter definido seu caminho — deixar a apuração nas mãos do Banco Central, da Polícia Federal e dos demais órgãos de investigação.

Em resumo, a linha do Planalto é clara: ouvir não significa proteger, reunião não significa aval, e o discurso oficial segue tentando separar, na teoria, política de escândalo financeiro — mesmo quando os encontros acontecem longe dos holofotes.

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