“Cadê o Respeito, Janja?”

“Cadê o Respeito, Janja?”

Em tom debochado, primeira-dama reage a pergunta sobre Trump com ataque indireto — e expõe, mais uma vez, o desprezo do governo pela crítica e pelo contraditório.

A cena ocorreu em Brasília, no Itamaraty, logo após um almoço diplomático com o presidente da Indonésia. O clima era formal, diplomático, institucional — até a primeira-dama abrir a boca. Ao ser questionado sobre as novas tarifas anunciadas por Donald Trump contra produtos brasileiros, Lula silenciou. Mas Janja, ao lado dele, disparou com ironia: “Ai, cadê meus vira-latas?”

A frase caiu como um soco no estômago de quem ainda acredita que o cargo de primeira-dama exige, no mínimo, compostura. Não bastasse o tom de desdém, a ambiguidade da fala acendeu alertas: estaria se referindo aos jornalistas presentes? À imprensa que ousou questionar o presidente? Ou aos opositores do governo?

A resposta oficial veio rápido. A assessoria de Janja correu para dizer que o comentário foi direcionado a “bolsonaristas que traem a soberania do Brasil” e não à imprensa. Mas a explicação não cola fácil — especialmente quando vem empacotada em mais uma tentativa de rotular qualquer voz crítica como “inimiga do Brasil”.

O episódio mostra mais do que um destempero. Revela a postura de uma ala do poder que prefere a lacração ao diálogo, o ataque à escuta, o deboche à responsabilidade. A primeira-dama parece esquecer que está ali representando um país, e não conduzindo uma guerra de hashtags em redes sociais.

A fala infeliz de Janja não é apenas um ruído diplomático: é um sintoma. Um sinal de como a arrogância tem contaminado as relações do governo com a sociedade — especialmente com aqueles que ousam perguntar, discordar, criticar. Se a resposta a uma questão relevante sobre o comércio internacional é um deboche com tom de campanha eleitoral, o que esperar quando as perguntas forem ainda mais duras?

Sim, Janja. Muitos brasileiros se perguntam “cadê os vira-latas?” — mas no sentido oposto ao seu. Cadê aqueles que ainda latiam quando os poderosos zombavam do povo? Onde foram parar os que defendiam respeito, diálogo e liberdade de imprensa? Talvez tenham sido adestrados pelo poder. Ou expulsos do palácio.

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