“Se não entregar, eu atiro”: ameaça expõe bastidores explosivos do caso Lulinha

“Se não entregar, eu atiro”: ameaça expõe bastidores explosivos do caso Lulinha

Ex-colaborador relata pressão, dívidas e pagamentos milionários envolvendo o “Careca do INSS”

O depoimento de Edson Claro Medeiros Júnior à Polícia Federal revelou um episódio tenso nos bastidores das investigações que cercam Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo Edson, o empresário o encurralou durante uma reunião e disparou uma frase que o deixou sem chão:
“Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, eu meto uma bala na sua cabeça.”

A declaração veio à tona nesta quinta-feira (4/12), quando o depoimento se tornou público. Ex-funcionário de Antunes, Edson diz que o “Careca” bancava uma mesada de R$ 300 mil para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de ter feito um repasse de R$ 25 milhões — valor que a CPMI ainda não sabe em qual moeda foi pago.

A reunião que virou ameaça

No relato, Edson afirma que foi chamado pela advogada de Antunes para um encontro no dia 17 de junho. O clima, segundo ele, mudou rapidamente. Careca queria que ele entregasse seus celulares, notebooks e um iPad, alegando que os aparelhos poderiam guardar informações sigilosas que comprometeriam o empresário, já alvo de investigação da Polícia Federal.

Quando Edson hesitou, veio a ameaça direta. Ele deixou a sala e, de acordo com o inquérito, reafirmou ao agressor que estava colaborando com a PF. Até hoje, diz o depoente, Antunes não quitou as dívidas que teria com ele.

A polícia registrou ainda que as divergências entre os dois envolvem desacordos comerciais, posse de veículos e outros bens.

Empresa, sociedade e conflitos

Edson se apresentava como diretor-executivo da World Cannabis, empresa para a qual trabalhava e que, formalmente, pertence ao próprio Antunes e ao filho dele, Romeu Carvalho Antunes. Segundo o depoimento, Careca era visto por ele como “um grande investidor”.

CPMI barra convocação de Lulinha

Ainda no contexto do caso, a CPMI do INSS rejeitou por 19 votos a 12 a proposta de convocação de Lulinha para prestar depoimento. A base governista atuou para impedir a ida do filho do presidente ao colegiado.

A coluna lembra que Fábio Luís vive em Madri desde o meio do ano, período em que as denúncias sobre o “faroeste do INSS” começaram a explodir.

A reportagem tentou contato com Lulinha e com os advogados de Antunes, mas não obteve resposta.

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