
Sem cargo, mas com influência: Janja se reúne com PF para discutir combate à pedofilia nas redes
Mesmo fora da estrutura oficial do governo, primeira-dama tem atuado nos bastidores e recebeu a cúpula da PF no Planalto para tratar da proteção de crianças e adolescentes.
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, voltou a ocupar espaço de protagonismo político ao se reunir, na última terça-feira (24), com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no Palácio do Planalto. O tema do encontro foi sério e urgente: o combate à pedofilia e à violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente digital.
Apesar de não ocupar um cargo formal no governo, Janja tem mantido uma agenda própria de articulações — e dessa vez recebeu Andrei e o delegado Otavio Margonari Russo, responsável pelo programa “Guardiões da Infância”, iniciativa da PF que busca não apenas reprimir crimes sexuais contra menores, mas também prevenir, com foco especial na educação digital de jovens.
A reunião aconteceu na sala 301 do Planalto, onde fica o gabinete da primeira-dama. Curiosamente, a agenda de Andrei não registrou o encontro oficialmente — ao contrário de Janja, que divulgou a conversa em sua página no site do Planalto.
Chama atenção a ausência de representantes do Ministério da Justiça. Nem o ministro Ricardo Lewandowski, chefe direto de Andrei, nem a secretária de Direitos Digitais, Lilian Cintra, participaram da reunião. Isso reforça o movimento paralelo da primeira-dama em pautas sensíveis, especialmente aquelas que envolvem crianças, internet e violência de gênero.
Janja, inclusive, já vinha dando sinais de que está atenta aos perigos da internet. Em maio, durante um jantar com Lula e o presidente chinês Xi Jinping, ela mencionou a preocupação com o TikTok, que segundo ela estaria servindo de canal para a extrema-direita e facilitando a disseminação de conteúdo violento contra mulheres e crianças.
Embora sem cargo ou função definida, Janja tem se mostrado uma peça influente no tabuleiro do governo, com espaço para opinar, agir e reunir quem precisa — mesmo quando isso passa ao largo das vias oficiais.