
STF dividido: até os amigos de Moraes acharam melhor não assinar o “atestado de solidariedade”
Pressão, jantar e foto oficial: nem assim o ministro conseguiu arrancar apoio unânime no Supremo
Alexandre de Moraes bem que tentou. Ao saber que os Estados Unidos o colocaram na temida lista de sanções da Lei Magnitsky — aquela que congela bens, bloqueia contas e fecha portas —, o ministro achou que seria hora de mostrar a força do “time do Supremo”. A ideia? Convencer todos os colegas a assinar uma carta coletiva em sua defesa.
Só que a realidade bateu à porta com um “não” bem sonoro. Mais da metade dos onze ministros achou simplesmente impróprio o STF se mobilizar para bater boca com Washington em um documento oficial. No fim, Moraes ficou com o que nenhum ministro gosta: silêncio constrangedor.
O máximo que saiu foi uma nota tímida, assinada pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que nem citou os Estados Unidos. Parecia mais um comunicado de rodapé do que um manifesto de apoio.
Mas a estratégia não parou aí. No dia seguinte, o Palácio do Planalto organizou um jantar no Alvorada para tentar salvar a narrativa de união. Lula queria repetir a foto de família que marcou o pós-8 de janeiro de 2023. A imagem perfeita: todos os ministros do STF reunidos, taça na mão, para mostrar ao mundo que ninguém solta a mão de ninguém.
Só que, tal como a carta, a foto não saiu como Moraes imaginava. Dos onze ministros, apareceram apenas seis: ele mesmo, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Barroso. Faltaram André Mendonça, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques. Fachin, dizem, só foi porque vai assumir a presidência do STF em dois meses e achou deselegante faltar — até porque Moraes será seu vice.
Nos bastidores, corre a avaliação de que o ministro está levando o STF para um “caminho sem volta”. E, ao que tudo indica, muitos preferiram não assinar nem a carta… nem a foto.