STF gastou R$ 4,4 milhões com empresa citada na “farra do INSS”

STF gastou R$ 4,4 milhões com empresa citada na “farra do INSS”

Corte contratou agência de turismo investigada por repasses suspeitos e ligada a escândalo no INSS

Entre 2022 e 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) desembolsou cerca de R$ 4,4 milhões para a Orleans Viagens e Turismo, uma empresa que mais tarde acabou envolvida nas investigações da chamada “farra do INSS”. O contrato previa a emissão de passagens aéreas, roteiros de viagem e seguros para ministros e servidores da Corte.

O acordo foi firmado em setembro de 2022 e encerrado um ano depois. Nesse período, o STF chegou a negar notícias falsas que circulavam, segundo as quais a agência custeava viagens de ministros para eventos internacionais.

O problema é que a Orleans também aparece em documentos da Polícia Federal, que apontam transferências suspeitas da Contag — entidade investigada por descontos irregulares em aposentadorias. Só da Contag, a empresa recebeu R$ 5,2 milhões. A PF destacou que a agência, apesar de ser de turismo, ostentava 12 veículos de luxo, entre eles um Porsche 911 e uma Dodge Ram.

A movimentação considerada incompatível levou a Orleans a ser alvo da CPMI do INSS no Congresso. Senadores já pediram a quebra do sigilo bancário da empresa entre 2019 e 2025 para rastrear o destino do dinheiro.

Procurado, o STF não respondeu sobre a relação com a empresa até a publicação desta matéria. O episódio, no entanto, levanta a pergunta que ecoa fora dos corredores de Brasília: como o órgão máximo da Justiça acabou contratando uma firma agora sob suspeita de desviar recursos públicos?

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