STF mantém permissão para nomeação de parentes em cargos políticos

STF mantém permissão para nomeação de parentes em cargos políticos

Corte decide, por maioria, que prática não configura nepotismo se houver qualificação técnica — Flávio Dino foi o único voto contrário

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quinta-feira (23), para manter o entendimento de que parentes podem ocupar cargos políticos, desde que tenham capacidade técnica comprovada. Por 6 votos a 1, a Corte reforçou a tese de que a nomeação nessas condições não se enquadra como nepotismo.

Os ministros Luiz Fux (relator), Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli votaram a favor da medida. Já Flávio Dino foi o único a discordar até o momento. O julgamento foi suspenso e deve continuar com os votos de Edson Fachin, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

O caso teve origem em Tupã (SP), onde uma lei municipal de 2013 proibia a contratação de parentes de prefeitos, vices e vereadores — mas fazia uma exceção para os cargos de secretário. O Tribunal de Justiça de São Paulo considerou o trecho inconstitucional, e a prefeitura recorreu ao STF.

Desde 2008, a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau em cargos de confiança. A exceção, reafirmada agora, vale para funções políticas, como ministros e secretários.

Durante o voto, Fux destacou que o chefe do Executivo tem o direito de montar sua equipe, mas com responsabilidade.

“A regra é a possibilidade; a exceção é a impossibilidade. Não é uma carta branca para nomear quem quer que seja”, afirmou o ministro.

O relator também reforçou que o nepotismo cruzado — quando duas autoridades trocam favores e nomeiam parentes uma da outra — continua proibido.

Flávio Dino, por outro lado, defendeu mudança na jurisprudência. Ele argumentou que uma lei aprovada em 2021 tipificou o nepotismo como ato de improbidade administrativa, sem abrir exceções para cargos políticos.

“O Congresso conhecia o precedente do Supremo e mesmo assim decidiu proibir o nepotismo sem distinções. Por isso, defendo a revisão dessa jurisprudência”, afirmou Dino.

O debate será retomado na próxima sessão, quando os votos restantes poderão definir se o STF consolida ou revisa o entendimento que, na prática, mantém aberta a porta para nomeações de parentes em cargos políticos.

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