Tarcísio afirma que operador do PCC tinha caixa de dinheiro destinada a Deolane Bezerra

Tarcísio afirma que operador do PCC tinha caixa de dinheiro destinada a Deolane Bezerra

Investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC avança, bloqueia R$ 27 milhões e coloca influenciadora no centro de operação policial em São Paulo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que um operador financeiro ligado ao Primeiro Comando da Capital foi preso com uma caixa de dinheiro que teria como destinatária a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. A declaração foi feita durante agenda oficial em Bauru, no interior paulista, enquanto comentava a Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

Segundo Tarcísio, a investigação tem como principal objetivo promover a chamada “asfixia financeira” da facção criminosa, atacando empresas e negócios supostamente usados para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.

Operação mira lavagem de dinheiro e empresas de fachada

A ação policial cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes ou operadores financeiros do PCC. Entre os alvos estão familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, além da própria Deolane Bezerra.

As investigações apontam que organizações criminosas estariam utilizando empresas aparentemente legais para ocultar patrimônio, movimentar valores milionários e dificultar o rastreamento de recursos ilícitos.

Segundo a Polícia Civil, mais de 35 empresas de fachada teriam sido usadas no esquema de lavagem de dinheiro.

Caixa de dinheiro teria nome de Deolane como destinatária

Durante coletiva, Tarcísio afirmou que um dos presos, identificado como Everton de Souza, conhecido pelos apelidos “Player” e “Temer”, foi encontrado com uma caixa de dinheiro destinada à influenciadora.

De acordo com os investigadores, Everton seria um dos principais operadores financeiros da organização criminosa, responsável por administrar fluxos de dinheiro ligados à cúpula da facção.

A polícia afirma que foi justamente a partir da análise das movimentações de Everton que os investigadores chegaram até Deolane.

A defesa da influenciadora ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações relacionadas à caixa de dinheiro.

Investigação começou após apreensão de manuscritos em presídio

O caso teve início em 2019, após agentes penitenciários apreenderem bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.

Os documentos indicavam a existência de uma estrutura financeira ligada ao PCC e mencionavam uma transportadora suspeita de atuar como empresa de fachada para lavagem de dinheiro.

As investigações evoluíram e deram origem à Operação Lado a Lado, que identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas investigadas.

Segundo o Ministério Público, os levantamentos identificaram depósitos suspeitos, empresas registradas em endereços residenciais e operações financeiras sem origem comprovada.

Deolane teve R$ 27 milhões bloqueados

Por determinação da Justiça, cerca de R$ 27 milhões em bens e valores ligados a Deolane Bezerra foram bloqueados durante a operação.

Os investigadores afirmam que a influenciadora teria recebido depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021. Relatórios policiais apontam indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a renda oficialmente declarada.

A investigação também cita relações pessoais e comerciais entre Deolane e Everton de Souza, incluindo aluguel de imóvel, participação em eventos e registros em boletins de ocorrência.

Tarcísio defende endurecimento contra o crime organizado

Durante a agenda em Bauru, Tarcísio destacou que o combate ao crime organizado passa pela inteligência financeira e pela identificação de patrimônios ocultos.

Segundo o governador, o foco das forças de segurança agora é enfraquecer economicamente as organizações criminosas, atingindo empresas usadas para movimentar dinheiro ilegal.

A operação contou com apoio do Ministério Público, da Polícia Civil, da Polícia Penal e até da Interpol, segundo o governo paulista.

Caso aumenta debate sobre influência do crime organizado

A repercussão da operação reacendeu discussões sobre o avanço das facções criminosas no Brasil e o uso de negócios aparentemente legais para lavagem de dinheiro.

Especialistas em segurança pública apontam que organizações criminosas têm ampliado sua atuação em setores empresariais justamente para dificultar o rastreamento de recursos ilícitos e dar aparência legal ao patrimônio acumulado.

O caso envolvendo Deolane Bezerra ganhou enorme repercussão nas redes sociais devido à popularidade da influenciadora, que soma milhões de seguidores e possui forte presença digital.

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