Tarcísio de boné gringo, São Paulo levando a conta

Tarcísio de boné gringo, São Paulo levando a conta

Alckmin alfineta governador por flertar com Trump enquanto indústria paulista é quem paga o preço das tarifas

A ironia não poderia ser mais cruel: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, posou orgulhoso com o boné da campanha de Donald Trump, e agora vê o estado que governa ser o mais atingido pelas tarifas de 50% impostas pelos EUA a produtos brasileiros.

O alerta veio nesta sexta-feira (11) do vice-presidente Geraldo Alckmin, que não economizou nas palavras. Em entrevista à rádio CBN, disparou: “Na prática, Tarcísio colocou o boné do Trump e entregou a fatura para São Paulo. Quem vai pagar é a nossa economia.” Ele citou os setores mais afetados: Embraer, siderurgia, metalurgia, suco de laranja, carnes e café — todos com forte presença no estado.

Enquanto Tarcísio tenta mostrar proatividade dizendo que se reuniu com representantes da embaixada dos EUA para “discutir soluções”, Alckmin expôs o óbvio: a conta política e econômica chegou — e quem paga é o trabalhador paulista.

Um boné que virou símbolo da incoerência

O episódio escancara o tipo de contradição que tem marcado a política externa do Brasil: Tarcísio, aliado do bolsonarismo e fã declarado de Trump, parece esquecer que os gestos simbólicos têm consequências concretas. E agora, em vez de devolver boné, precisa lidar com as consequências econômicas da bajulação.

No X (antigo Twitter), o governador disse que pretende abrir diálogo com as empresas paulistas e buscar soluções baseadas em dados. Mas a essa altura, soa como tentativa de apagar incêndio com regador de jardim.

Alckmin ainda reforçou que o governo federal não aceitará interferência externa nos rumos do país e que é papel do Estado defender a soberania nacional. Enquanto isso, a indústria paulista segue ameaçada, e o agronegócio regional se prepara para sentir o baque.

Política de selfie com o inimigo

No fim das contas, o flerte com o trumpismo não trouxe vantagem alguma — pelo contrário: o aliado virou o algoz. E Tarcísio, que um dia sorriu sob o boné de Trump, agora tem que explicar à indústria paulista por que decidiu tirar foto com quem vai quebrar suas exportações.

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