
Tarcísio sai da Papudinha repetindo o mantra: “meu lugar é São Paulo”
Após visitar Bolsonaro, governador reafirma reeleição em SP e diz que vai entrar na campanha de Flávio ao Planalto
Depois de visitar Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tratou de deixar tudo bem claro — de novo — que não vai brincar de candidatura presidencial e que seu plano segue o mesmo: disputar a reeleição em São Paulo.
“A gente conversa sobre isso desde 2023, que meu interesse é ficar em São Paulo”, afirmou Tarcísio ao sair da unidade prisional, nesta quinta-feira (29).
Foi o primeiro encontro entre os dois desde a prisão do ex-presidente. A visita já estava autorizada por Alexandre de Moraes, do STF, desde a semana passada, mas Tarcísio havia cancelado a ida anteriormente justamente porque avaliou que o encontro poderia virar pressão política disfarçada de abraço — especialmente para que ele demonstrasse apoio mais explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Aliás, na terça-feira (27), o governador já tinha sido direto, quase como quem quer encerrar o assunto com cadeado: disse que não seria candidato à Presidência “nem se Bolsonaro pedisse”.
Abraço, gratidão e o “recado do povo”
Na saída, Tarcísio tentou enquadrar a visita como um gesto pessoal e simbólico, e não como movimentação eleitoral.
“A gente queria fazer essa visita ao presidente. Uma visita que a gente tinha se programado, queria muito transmitir meu abraço e solidariedade, falar do meu apreço e da minha gratidão…”, declarou.
Ele ainda reforçou que queria servir como uma espécie de “porta-voz” do apoio popular que Bolsonaro ainda mantém.
“Toda vez que faço evento em São Paulo são milhares de pessoas. É impressionante o carinho das pessoas… queria ser porta-voz desse carinho, falar da saudade que as pessoas têm dele. Dizer que tem uma massa de brasileiros que torcem por ele”, completou.
No fim, a mensagem foi quase um selo de fidelidade:
“Ele vai sempre ter um grande amigo.”
E na campanha do Flávio? “Claro.”
Mas se a ideia era manter tudo no terreno do afeto, a política tratou de aparecer rapidinho.
Questionado se estará na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o Planalto, Tarcísio respondeu sem rodeios:
“Claro.”
Ou seja: ele quer ser candidato em São Paulo, mas também quer deixar registrado que não vai ficar de fora da foto nacional quando o assunto for “projeto contra o PT”.
Caiado no PSD entrou na conversa
Tarcísio também contou que falou com Bolsonaro sobre a ida do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para o PSD.
Segundo ele, Bolsonaro teria elogiado Caiado e avaliado que a candidatura dele “soma” na disputa.
“O presidente elogiou Caiado. Tem apreço por ele. A gente entende que é uma candidatura que soma com o projeto, que no fim estará junto contra o PT”, disse o governador.
Carlos Bolsonaro acompanhou — e ficou em silêncio
Quem também apareceu na visita foi Carlos Bolsonaro, que acompanhou Tarcísio, mas preferiu não falar nada.
Carlos, aliás, já tinha se encontrado com o governador antes: na véspera, os dois almoçaram juntos. E há duas semanas, Carlos tinha ironizado uma fala da primeira-dama de São Paulo, Cristiane de Freitas, que disse que o Brasil “precisa de um novo CEO” — frase interpretada como indireta para uma possível candidatura presidencial de Tarcísio.
Agora, com a visita feita e as frases repetidas como roteiro ensaiado, Tarcísio tenta manter o equilíbrio clássico da política:
👉 ser “leal” a Bolsonaro,
👉 não virar candidato ao Planalto,
👉 e não perder o controle do próprio projeto em São Paulo.
Na prática? Ele saiu da Papudinha deixando o recado que queria desde o começo: abraça o bolsonarismo, mas não troca o Palácio dos Bandeirantes por Brasília.