Telebras: a estatal zumbi que drena milhões e quer mais apadrinhados

Telebras: a estatal zumbi que drena milhões e quer mais apadrinhados

Mesmo com R$ 256 milhões de prejuízo, empresa estatal criada para um Brasil que já não existe insiste em multiplicar cargos políticos – e quem paga essa conta é você.

Vinte e sete anos após a privatização das telecomunicações no Brasil, a Telebras continua firme — não no serviço público essencial, mas como símbolo de desperdício e aparelhamento. A estatal, que deveria ter sido aposentada junto com o pager e o disquete, quer agora aumentar seus cargos de indicação política de 56 para 88, mesmo tendo fechado 2024 com um rombo de R$ 256 milhões.

A ideia genial partiu de dentro do governo Lula, com apoio do União Brasil, partido de base que tem tratado estatais como cabides de emprego de luxo. Quem preside a estatal atualmente é André Leandro Magalhães, apadrinhado político com experiência na área de tecnologia, mas também com bom trânsito entre caciques partidários. Ele assumiu o cargo após a saída de Frederico de Siqueira Filho, que foi promovido a ministro das Comunicações com a bênção do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A dança das cadeiras, recheada de mal-estar e acordos de bastidor, revela mais um capítulo da novela onde quem menos importa é o contribuinte. Mesmo com decisão judicial contrária à substituição de concursados por comissionados, a Telebras bate o pé e diz que quer “recompor sua capacidade estratégica”. A proposta — pasme — pretende transformar funções que deveriam ser exercidas por servidores concursados em cargos comissionados, ocupados por indicações políticas.

O custo disso? Cerca de R$ 12,3 milhões por ano. Tudo para manter uma estrutura inchada, politizada e sem resultados práticos. Para se ter ideia do descompasso, enquanto outras estatais mantêm em média 5% de cargos comissionados, a Telebras quer atingir a marca de 19%.

A justificativa oficial é que a empresa está crescendo, ampliando sua atuação junto a órgãos como o INSS, Datasus e TJMG. Mas ninguém explica como esse “crescimento” combina com o prejuízo de mais de R$ 250 milhões em um único ano.

Criada para centralizar o controle estatal das telecomunicações, a Telebras foi vendida em 1998 no governo FHC. Só que em 2010, Lula ressuscitou o cadáver para criar o Plano Nacional de Banda Larga. De lá para cá, a estatal virou um zumbi burocrático que se arrasta em nome de agendas políticas e acomodações partidárias.

Enquanto isso, o cidadão comum continua enfrentando internet ruim, serviços caros e impostos nas alturas. Mas o importante, ao que parece, é garantir que cada aliado político tenha onde encostar sua cadeira — e sua boquinha.

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