
Testemunha acusa irmão de Lula de envolvimento em esquema de descontos irregulares no INSS
Advogado investigativo aponta que José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, pode ter atuado como “laranja” em associação que prejudicou aposentados
O advogado Eli Cohen, responsável por investigações preliminares sobre descontos irregulares aplicados a aposentados, fez uma declaração contundente sobre José Ferreira da Silva, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Frei Chico. Segundo Cohen, Frei Chico “provavelmente atuou como um laranja” em um esquema descoberto no INSS.
Frei Chico ocupa o cargo de vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), uma das entidades que mais arrecadou com os descontos questionáveis.
O advogado participou como testemunha em uma reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS na última segunda-feira (1º). Ele destacou que os diretores das associações que aplicavam descontos sem o consentimento dos aposentados estavam envolvidos, mas não seriam os principais alvos da investigação parlamentar.
“Se o irmão de alguém é diretor de uma entidade, é claro que ele tem participação. Mas o foco da investigação precisa ser quem está por trás da diretoria. Todos esses diretores, inclusive o irmão do presidente Lula, para mim, são laranjas. A realidade é essa”, afirmou Cohen.
Segundo a testemunha, os verdadeiros beneficiários do esquema não ocupam cargos formais nas associações. Até o momento, não há previsão de que Frei Chico seja chamado para depor na CPI.
O escândalo dos descontos do INSS
- Fraudes nos benefícios: O caso envolve concessão irregular de aposentadorias e pensões, muitas vezes sem observância dos critérios legais.
- Uso de intermediários: Pessoas e associações se aproveitavam da vulnerabilidade dos aposentados, exigindo propina ou pagamentos indevidos para liberar benefícios.
- Principais vítimas: Aposentados e pensionistas sofreram prejuízos financeiros e foram induzidos a autorizar pagamentos ilegítimos.
- Envolvimento de servidores: Alguns funcionários públicos ajudavam a acelerar processos irregulares ou direcionar pagamentos indevidos.
- Ação da CPI: A Comissão Parlamentar de Inquérito investiga irregularidades, ouve testemunhas e busca identificar os verdadeiros responsáveis, mesmo aqueles fora das diretorias formais.
- Impacto social: O esquema prejudicou financeiramente o INSS e minou a confiança da população no sistema previdenciário, evidenciando a necessidade de fiscalização mais rigorosa.