
Trump ameaça sancionar esposa de Moraes após prisão domiciliar de Bolsonaro
Presidente americano estuda aplicar Lei Magnitsky contra Viviane Barci de Moraes e endurecer tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a crise entre Brasil e EUA.
A relação entre Brasil e Estados Unidos entrou em um novo e delicado capítulo. Depois que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, Donald Trump começou a articular medidas de retaliação contra o Brasil — e contra integrantes do Judiciário brasileiro.
Segundo fontes da Casa Branca, a opção mais avançada é aplicar a Lei Magnitsky à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. A medida impediria que o escritório dela mantivesse contratos ou parcerias com empresas e cidadãos norte-americanos, bloqueando inclusive negociações internacionais que passem pelos EUA. Seria uma “extensão natural” das sanções já impostas ao próprio ministro.
Trump também avalia ampliar o “tarifaço” sobre produtos brasileiros, o que poderia atingir carnes, soja, minério de ferro, calçados e manufaturados. O impacto seria imediato no agronegócio e na indústria, elevando a tensão comercial e política entre os dois países.
A Lei Global Magnitsky é usada por Washington para punir estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos, congelando bens e restringindo a entrada nos EUA. Até agora, não havia registro de sanções contra familiares de ministros da Suprema Corte brasileira — o que, para juristas, representa uma escalada sem precedentes na disputa.
Enquanto ministros do STF veem a ação como ataque pessoal e ameaça à independência da Corte, aliados de Bolsonaro enxergam as medidas como apoio político direto do presidente americano. Mas até mesmo na base bolsonarista há preocupação: um tarifaço ampliado pode prejudicar exportadores e produtores brasileiros, inclusive apoiadores do ex-presidente.
No Itamaraty, a ordem é acompanhar de perto cada movimento. Trump é conhecido por decisões rápidas e, muitas vezes, inesperadas. Isso mantém em aberto a possibilidade de medidas ainda mais duras — e de uma crise diplomática de grandes proporções.